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Archive for the ‘Teoria’ Category

O Ativismo de Vínculos Fortes: A Revolução Não Será Tuitada

6 July, 2013 Leave a comment

Dizem que o mundo passa por uma revolução. As novas ferramentas de redes sociais reinventaram o ativismo social. Com Facebook e Twitter  a relação tradicional entre autoridade política e vontade popular foi invertida, o que facilita a colaboração mútua e a organização dos desprovidos de poder e dá voz às suas preocupações. Se antes os ativistas eram definidos por suas causas, agora são definidos pelas ferramentas que empregam. Os guerreiros do Facebook entram na internet para pressionar por mudanças. Tais alegações, entretanto, são fortes e intrigantes. As pessoas que estão no Facebook são mesmo a nossa grande esperança? As maravilhas da tecnologia de comunicação no presente produziram uma falsa consciência sobre o passado – e até mesmo a percepção de que a comunicação não tem história, ou nada teve de importante a considerar antes dos dias da televisão e da internet. Na verdade, não passam de uma forma de organização que favorece as conexões de vínculo fraco que nos dão acesso a informações, em detrimento das conexões de vínculo forte que nos ajudam a perseverar diante do perigo. Transfere nossas energias das entidades que promovem atividades estratégicas e disciplinadas para aquelas que promovem flexibilidade e adaptabilidade. Torna mais fácil aos ativistas se expressarem e mais difícil que essa expressão tenha algum impacto. O ativismo no Facebook dá certo não ao motivar pessoas para que façam sacrifícios reais, mas sim ao motivá-las a fazer o que alguém faz quando não está motivado o bastante para um sacrifício real. A análise é de Malcolm Gladwell.

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Manipulando Dados para Justificar a Austeridade Fiscal

18 April, 2013 4 comments

O influente estudo de Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart sobre a relação negativa entre dívida pública e crescimento, publicado originalmente em 2010 na American Economic Review e com a versão preliminar no NBER, acaba de ser desbancado por economistas da Universidade de Massachusetts em Amherst. O estudo de Rogoff e Reinhart foi base para o também livro best seller “This Time Is Different: Eight Centuries of Financial Folly”. O argumento dos autores é o de que há uma relação perniciosa entre alta dívida pública e crescimento do PIB, o que foi imediatamente encampado por políticos conservadores como justificativa científica para os programas de austeridade fiscal. Mas outro recente estudo de Thomas Herndon, Michael Ash e Robert Pollin acaba de invalidar os achados estatísticos de Rogoff e Reinhart ao mostrarem que estes cometerem “erros” básicos de metodologia, além de “erros” ao utilizarem funções no Excel. Pior ainda, o “erro” de Rogoff e Reinhart no Excel alterou por completo a principal conclusão do estudo de que países com relação dívida pública sobre PIB acima dos 90% sofrem, em média, crescimento negativo.

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Genes Patenteados

6 April, 2013 Leave a comment

Os novos cercamentos agoram avançam rapidamente sobre a estrutura do nosso DNA. Companhias privadas já investiram milhões de dólares a fim de patentear o código genético humano e, se reforçados pela suprema corte, implicam que qualquer outra pessoa, instituto de pesquisa ou empresa que fizer referência às partes do DNA deverão pagar pelos direitos de propriedade intelectual. O que em poucas palavras significa que nós mesmos não seremos mais donos dos nossos próprios genes. Se uma companhia privada possuir patentes sobre o DNA humano, um médico que queira diagnosticar um provável câncer poderá ver-se forçado a não fazê-lo por não querer infringir, ou mesmo porque o paciente não consegue pagar, os direitos de propriedade do dono da patente sobre aquela parte do código genético. Parece algo do futuro, não é mesmo? Mas em verdade que o controle privado do DNA já segue em curso há alguns anos.

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Capital Humano?

2 April, 2013 1 comment

Tornou-se já bem comum escutar frases como “estou investindo em meu capital humano”. O termo aparece também com frequência em publicações acadêmicas atuais sobre educação, especialmente na área de micro-econometria. O senso comum claramente emprestou da teoria neoclássica a ideia de “capital humano”, a de que os indivíduos devem investir em treinamento e conhecimento a fim de valorizarem seu próprio capital individual.  O conceito surgiu originalmente na teoria econômica nos anos 1950 com os escritos de Pigou e foi posteriormente popularizado por Gary Becker nos anos 1960 na escola de Chicago.  Para Becker, o capital humano que cada um possui é, acima de tudo, um meio de produção que gera valor para si próprio. Seu retorno pode então ser calculado como o lucro em relação aos investimentos em educação, conhecimento e saúde. Neste breve artigo teço alguns comentários sobre o conceito de capital humano sob a ótica da teoria marxista.

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De Hegel a Marx… e de Volta a Hegel: A Tradição Dialética em Tempos de Crise

23 March, 2013 Leave a comment

Conferência “De Hegel a Marx… e de volta a Hegel! A tradição dialética em tempos de crise”, com Slavoj Žižek que aconteceu dia 08/03/2013, sexta-feira às 20h no Sesc Pinheiros na cidade de São Paulo. Esta conferência fez parte da abertura do projeto “Marx: A Criação Destruidora”, organizado pela editora Boitempo, com a participação de alguns dos principais pensadores brasileiros e internacionais especializados em Karl Marx. Neste evento, Žižek teorizou acontecimentos atuais ao redor do planeta e problematizou os projetos da esquerda mundial. Não deixe de conferir esta interessante intervenção de um pensador comprometido com um novo mundo para além do capital.

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De Onde Vem o Dinheiro?

9 March, 2013 3 comments

Tornou-se comum o pensamento de que os bancos somente podem emprestar o que antes recebem como depósitos. O sistema financeiro assim se reduziria a um mero intermediário que repassa o dinheiro depositado por seus clientes com excesso de poupança para seus outros clientes com deficiência de poupança. O banco lucraria com a o diferencial entre taxas cobradas e recebidas. Simples, essa hipótese é muito difundida pelo imaginário popular, pela televisão, jornais e, ainda mais, pelos cursos de graduação e pós-graduação em economia. O problema central da hipótese de que o sistema financeiro não passaria de um intermediário entre poupadores líquidos e gastadores líquidos é sua falsidade. Os bancos não repassam dinheiro, mas sim criam dinheiro, dinheiro que não existia previamente na economia. A causalidade não vai dos depósitos para os empréstimos, como se o montante de crédito fosse limitado pela quantidade de dinheiro já em circulação. A causalidade opera justamente ao contrário: é a quantidade de crédito emprestado que determina o volume de depósitos à vista. Como então entender que a hipótese de que os bancos são meros intermediários persiste no imaginário tanto de economistas profissionais quanto da população em geral?

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Os Novos Cercamentos

3 March, 2013 2 comments

O conceito de acumulação primitiva que Marx originalmente desenvolveu abarcava eventos que historicamente serviram para transformar em capitalismo os antigos modos pré-capitalistas de produção. O método usual era o da força bruta e o da violência dos exércitos monárquicos.  Exemplos são os cercamentos das terras comuns, a colonização da América, África e Ásia, e a transformação da capacidade humana para trabalhar em mercadoria pela despossessão dos meios de trabalho.  O momento presente, entretanto, evidencia mais do que nunca que a acumulação primitiva é parte integrante e necessária da atual acumulação de capital. A privatização de áreas comuns e a monopolização de recursos naturais não estão restritas a uma fase meramente datada de transição ao capitalismo. Estes eventos continuam em curso e são mais contemporâneos do que nunca.

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