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Quem São os Vândalos?

Quem são os verdadeiros vândalos? Os policiais são trabalhadores que usam ônibus e metrô. Mas vão às ruas para dar porrada em outros trabalhadores que, assim como eles, também usam ônibus e metrô. É trabalhador atacando trabalhador, a mando da burguesia que controla o estado e a polícia. Por que o estado não taxa as grandes fortunas e financia o transporte público gratuito? Por que o estado não taxa os proprietários de automóveis privados para financiar o transporte coletivo para todos? Por que o estado não comprime a margem de lucro das concessionárias privadas? Os verdadeiros vândalos são os capitalistas, que se deleitam ao ver a classe trabalhadora dividida e lutando entre si pelo custo do transporte público que afeta tanto manifestantes como policiais. Vândalos são aqueles que se enriquecem com a pobreza alheia. Os reais vândalos são aqueles que não vemos pelas ruas, muito menos usando o transporte público.  A verdade aparece agora em um momento de conflito, e alguém terá que ceder. Ou os capitalistas reduzem suas margens de lucro ou os trabalhadores reduzem o poder de compra dos seus salários. Não há outra solução dentro do sistema atual. A divisão que interessa neste momento não é,  portanto, uma divisão entre supostos vândalos e não-vândalos. O que interessa é a divisão entre os que usam o transporte público (os trabalhadores) e os que lucram com ele (os capitalistas). Transporte coletivo gratuito implica menos lucro para os ricos. Os ricos não cedem e mandam a polícia descer a porrada na população. E a população de São Paulo está muito bem informada sobre o sistema de transporte: é caríssimo e é uma merda. Todo mundo sabe disso. O transporte coletivo, assim como educação e saúde, tem que ser público e gratuito. Mas para isso os donos das concessionárias privadas vão ter que perder esse filão subsidiado pelo estado. A disputa é com a classe capitalista. E você, de que lado está?

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Como os donos das empresas de ônibus maquiam seus custos:

“o ativo imobilizado não está declarado nestes balanços. É como se a ideia do pequeno empresário que não distingue o próprio bolso do caixa da empresa fosse levada às alturas. Donos de empresas têm parte da frota em nome próprio (ou de laranjas). Ou, então, compram em nome da empresa e depois “revendem” para terceiros (sócios), após quitados os financiamentos. Os terrenos nos quais estão as garagens das empresas são de propriedade dos sócios e também não aparecem no balanço. Por fim, essas empresas não pagam encargos trabalhistas, adiando-os ao máximo, para aproveitar, quando aparece, uma renegociação. Fazem isso para aumentar muito o exigível de longo prazo, propositalmente, além de ganhar caixa extra pago pelo governo. Cientes dessas informações, para fazer a análise consolidávamos o patrimônio dos sócios (que na verdade seriam das empresas) com o das empresas. É claro que elas davam lucro na realidade – afinal estes empresários seriam tão idiotas de continuar pra sempre num setor com altos fluxos de dinheiro se tivessem sempre prejuízos? Mas tem mais… Àquela época, e ainda hoje, existem várias empresas que atendem o transporte urbano – em São Paulo, Rio de Janeiro e outras tantas cidades –, mas são poucas famílias que controlam de fato esta estrutura. Fazem isso indiretamente, através de sociedades. Em São Paulo, se não me engano, eram cinco famílias, que tomaram o setor na privatização da CMTC. Quando estas empresinhas começam dar muitos problemas, elas fecham e abrem outro CNPJ, com outros sócios. Fornecedores e especialmente funcionários ficam a ver navios. ” (Fernando Souto)

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Até a revista Veja sabe disso:

“Na semana passada, a prefeitura de Belo Horizonte abriu os envelopes de uma concorrência pública até então inédita no Brasil. O objetivo era vender o direito de exploração de todas as linhas de ônibus urbano da capital mineira. Antes, essas linhas eram concedidas, por critérios políticos, a empresários aliados do prefeito ou dos vereadores. A novidade é que, desta vez, os empresários tiveram de pagar para continuar a explorá-las. Quem não ofereceu o melhor preço, perdeu o direito. O resultado foi surpreendente. Algumas ofertas alcançaram um ágio de 370% sobre o preço mínimo fixado no edital da licitação. Com isso, quebrou-se um mito: o de que o transporte de passageiros nas grandes cidades é um negócio pouco lucrativo, mantido por empresas que vivem no prejuízo e precisam ser subsidiadas com dinheiro público. O leilão foi também a primeira tentativa concreta de quebrar um cartel que reúne empresários poderosos e números impressionantes no país.” (Revista Veja, 1998)

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  1. Rafael Palma Mungioli
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