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Haveria um Trade-Off entre Igualdade e Eficiência no Capitalismo?

17 January, 2013 Leave a comment Go to comments

Muitos dos livros-texto que usamos em cursos de economia exibem um famoso gráfico da fronteira côncava entre igualdade social e eficiência. O formato côncavo da curva remonta ao suposto teórico de que há uma relação direta e negativa entre mais igualdade e maior eficiência. Para que o sistema capitalista seja mais eficiente, se faz necessário ter maiores doses de desigualdade social. E, de forma similar, o custo social da diminuição da desigualdade seria a perda da eficiência. Em recente palestra na Universidade do Chile, a pedido dos próprios estudantes, Sam Bowles discursou sobre as falhas teóricas e empíricas desta asserção convencional.

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Acompanhe aqui o vídeo na íntegra da palestra de Sam Bowles, na qual ele discute os problemas lógicos e empíricos da suposta fronteira entre igualdade e eficiência. O objetivo da palestra, que fique claro, foi discutir possíveis reformas no currículo do curso de economia, incorporando novos avanços teóricos na disciplina. Bowles mostra também como o ensino de economia pode ser reformulado a fim de incorporar ideias relacionadas a práticas que conciliem igualdade com eficiência econômica.

A primeira contradição que Bowles aponta é que o “Primeiro Teorema do Bem-Estar Social”, formulado por Kenneth Arrow, e o chamado “Teorema de Coase”, de Ronald Coase, asseveram ambos que a distribuição de renda não afeta a eficiência do resultado. Eficiência pode ser garantida com qualquer distribuição de renda. Então por que os livros-texto exibem a famosa fronteira entre igualdade e eficiência se a própria teoria microeconômica afirma não haver tal relação? Ainda mais, como saber se de fato estamos sobre tal fronteira? Como garantir que não estamos em um ponto interior, onde é possível ganhar igualdade com eficiência ao mesmo tempo?

Em segundo lugar, há vasta evidência empírica de que pessoas comuns pagam um custo social para punir aqueles que preferem resultados injustos. Não só as pessoas são avessas à injustiça social, como até chegam a pagar um custo ao tentarem reduzí-la. Um grande exemplo em teoria dos jogos é o chamado Jogo do Ultimato (ultimate game), no qual os jogadores frequentemente preferem o resultado da igualdade com igual divisão dos ganhos em detrimento ao equilíbrio de Nash que favorece a desigualdade.

Terceiro, o aumento da desigualdade social aumenta os gastos da sociedade com trabalho improdutivo, o trabalho que não produz riqueza. O grande exemplo é que mais desigualdade social leva a maiores gastos com seguranças, guardas privados, polícia e exército. Estes gastos improdutivos não geram mais riqueza, e sim a consomem para somente manter a vigência do status quo.

Por fim, Bowles discute como a economia do futuro baseada cada vez mais na produção e compartilhamento do conhecimento dependerá gradativamente de mais, e não de menos, cooperação.

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(*) Agradeço ao colega Ian Seda por ter enviado o link do vídeo.

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