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Do Crescimento com Lula à Estagnação com Dilma

O ciclo econômico positivo originado durante o governo Lula agora se desfaz com o governo Dilma. Do boom das exportações de commodities, dos aumentos dos salário mínimo, da redução da pobreza, do aumento do consumo das famílias e do aumento dos gastos do governo, vivemos agora a reversão completa com políticas de fortes cortes de gastos públicos e falta de reajustes a servidores federais. Conjugada à crise mundial, as políticas econômicas adotadas por Dilma vão na contramão do crescimento brasileiro. Em lugar de estimular a demanda, o governo atual preferiu optar erroneamente pela austeridade nos gastos públicos. Como medidas emergenciais, Dilma agora adota políticas para atuar no lado do barateamento do crédito e da desoneração da folha de salários, sem maiores preocupações com a demanda agregada. O declínio constante do PIB brasileiro não esconde as opções de Dilma. A análise é de Ricardo Summa.

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Acompanhe abaixo a gravação da recente apresentação de Ricardo Summa, professor do departamento de economia da UFRJ, sobre a atual política econômica do governo Dilma:

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Parte 1:

Parte 2:

Parte 3:

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(*) Vídeos publicados originalmente no blog da Revista Circus.

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Aproveito para complementar a discussão com um interessante comentário do professor Franklin Serrano feito através do Facebook:

“Eu acho (e o Summa também) que desonerar o salário em nada adianta para combater o subemprego e a informalidade. Um problema teórico de que para a desoneração funcionasse no caso mais geral teríamos que acreditar que existe forte efeito substituição entre um suposto fator de produção capital e o trabalho. O problema é que a desoneração geral afetaria também os salários dos setores que produzem os bens de capital e aí em geral nada pode ser dito sobre a mudança do coeficiente de trabalho quando o custo salarial cai. O outro problema mais simples é que mesmo que desoneração torne mais lucrativa técnicas mais intensivas em mão de obra (riquixás substituiriam taxis !) tem o problema de que isso apenas aumenta a margem de lucro das empresas e não suas vendas. Desonerar em geral nada aumenta a demanda efetiva da economia. Apenas concentra renda. Desonerações em setores específicos com problema de competitividade podiam dar um alívio para setores que estão na margem da extinção pela concorrência chinesa. Mais aí como a produtividade deles aumenta o tempo todo e a nossa não por falta de política industrial e tecnológica, ia ter que ter uma desoneração nova todo ano e um dia ia ter que acabar nossa previdência. Além disso, note que nos últimos anos o subemprego caiu muito e a informalidade também e o instrumento para isso parece ter sido o AUMENTO do salário minimo e dos custos salariais. Aconteceu o exato contrário do que tinha que acontecer para a tese da desoneração geral da folha de salários fazer sentido. […] Na prática, se o problema é emprego, em geral é melhor o governo gastar direto ou fazer transferências para os mais pobres que tem maior propensão a consumir. Se o problema é competitividade industrial, é melhor fazer política industrial, de preferência através de compras públicas com exigência de upgrade tecnológico. Desonerar empresas é fácil e os empresários adoram, mas concentra renda e não adianta muito pelos motivos acima.”

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E no jornal argentino Página 12 saiu mais sobre o tema:

“Una caída del 1,8 por ciento en el producto industrial y estancamiento (crecimiento cero) del PBI en el segundo trimestre, retracción de los consumidores excesivamente endeudados, decisión oficial de congelar el gasto público y un conflicto con los trabajadores estatales que ya se prolonga por más de tres meses. No es España ni Grecia, sino el cuadro de situación que presenta la economía brasileña, con las estimaciones estadísticas más recientes. Las presentó Ricardo Summa, investigador de la Universidad Federal de Río de Janeiro, durante su disertación en el panel de cierre del seminario sobre Crisis Internacional (despliegue en Europa y potenciales impactos en América latina), organizado por el Cefid-Ar. No fue todo: agregó que el avance de la proyección del Presupuesto federal 2013 mantiene los mismos lineamientos, en cuanto a contención del gasto. “La actividad económica se deteriora, la recaudación fiscal empezó a caer, las perspectivas son que las cosas van a ser cada vez peores”, completó su descripción Summa.

Dos centenares de asistentes, en el Salón de Actos del Banco de la Nación Argentina, en su sede central, frente a Plaza de Mayo, lo escuchaban asombrados. Entre los panelistas que acompañaban a Ricardo Summa se miraban y entrecruzaban consultas. “¿Manejabas estos datos?”, le preguntó uno de ellos a quien estaba a su lado. Un tercero, que alterna su actividad profesional entre Buenos Aires y Río, asentía con un movimiento de cabeza.

El último, Eduardo Crespo, economista recibido en la UBA y profesor universitario en Río, advirtió al hablar después de Ricardo Summa, en el mismo panel, que “Brasil se desaceleró antes que los países europeos, porque no empezó ahora, sucede desde hace más de un año. ¿Cómo se explica eso? ¿Cuáles son los canales de transmisión de la crisis? ¿Son tan fuertes las expectativas y tan sagaces los empresarios brasileños que se anticipan a lo que va a pasar? Suena raro…”.

Crespo no dejó abierto el interrogante, sino que le dio su propia respuesta. “Los que recomendaron el cambio de política en Brasil, cuando el país crecía al 7,5 por ciento anual, hasta 2010, no fueron ortodoxos, no fueron neoliberales. Hay que reconocerlo, fueron economistas heterodoxos, estructuralistas. Brasil venía con tasas de interés muy altas, entonces recomendaron bajarla y devaluar un poco (el real en términos de dólar). Pero hicieron la advertencia de que esa modificación de variables podía provocar un impacto tremendo en los precios, un golpe inflacionario. ¿Qué propusieron? Cambiar el ancla cambiaria por el ancla fiscal; frenar el gasto. Este fue el consejo que dieron”, subrayó. Y las consecuencias empezaron a verse reflejadas antes de que aparecieran las primeras sombras de la crisis mundial en la región. Pero Crespo resalta que “la causa del retroceso de los indicadores no fue la crisis, sino que la crisis fue la excusa de estos economistas para justificar el ahorro fiscal que impusieron. Son los responsables por sus propuestas de enfriamiento de la economía y tienen nombre y apellido: los neodesarrollistas como Antonio Bresser Pereira allá (en Brasil), que tienen su correlato acá en (Roberto) Frenkel y (Eduardo) Curia”.

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  1. Dutra
    24 July, 2012 at 13:25

    Não é novidade para ninguém que após a farra venha a ressaca, “E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José?” … ou melhor dizendo, pois o povo optou, deveríamos clamar: e agora Dilma?

  2. Luisa Veitmann
    1 May, 2013 at 16:46

    A melhor maneira de entender quem é quem na política no Brasil e na América Latina é ver todos os dias as páginas dos jornais. Neste site argentino pode ser claramente observado.
    http://ensamble19.com.ar/TAPAS/tapasbrasil.htm

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