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O Dólar Como Moeda Mundial Também Depende do Exército: O Porquê da Morte de Gaddafi

21 October, 2011 Leave a comment Go to comments

A maioria das pessoas e dos economistas costuma pensar que o choque do petróleo nos anos 1970 causou prejuízos para a economia norte-americana. Assim pensam porque a inflação doméstica disparou, corroendo o poder de compra dos salários. No livro O Novo Imperialismo, David Harvey levantou a hipótese contrária, qual seja: a de que o então inédito aumento no preço mundial do petróleo foi extremamente benéfico para os EUA. Harvey afirma que Nixon em verdade coordenou o choque de preços com os países árabes produtores de petróleo. Isto porque os anos 1970 foram os anos de contestação dos EUA como império econômico. Os altos gastos com a derrota no Vietnã, a forte crise de lucratividade interna e as pressões por parte da França para reconverter em barras de ouro suas reservas de dólares fizeram com que Nixon abandonasse definitivamente o regime de câmbio fixo. O fim do padrão dólar-ouro e o fim dos acordos de Bretton Woods seriam então conjugados com os choque do petróleo. Coincidência?  

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Harvey asseverou que Nixon precisou coordenar o choque do petróleo com os países árabes para garantir a função do dólar como moeda mundial. A crise nos EUA e a recuperação econômica da Europa e do Japão foram suficientes para instalar incertezas a respeito do dólar com moeda reserva do sistema monetário mundial. Se Nixon pudesse garantir que os países árabes continuassem a vender petróleo para o resto do mundo somente aceitando dólares como forma de pagamento, então o aumento do preço do ouro negro se tornaria extremamente benéfico para a economia norte-americana.

A hipótese é plausível. A disparada no preço do petróleo aumentaria em muito a renda dos países árabes. E contanto que tais rendas fossem pagas necessariamente em dólares, grande parte dos pagamentos mundias continuariam sendo feitos na moeda gringa. Assim o foi.

Harvey também afirmou, no mesmo livro, que a deposição de Saddam Hussain foi necessária porque o ditador iraquiano começara a orquestrar vender seu petróleo somente por euros. Saddam o afirmou em 2000. E a invasão veio em 2002. Algo parecido agora acontece com a Líbia. Gadaffi era sem dúvida um líder árabe disposto a reduzir o papel do dólar como moeda de reserva entre os países produtores de petróleo. Seria coincidência então que os EUA enviassem imediatamente seu “apoio” militar à Líbia? Com inédita rapidez, caças norte-americanos começaram a sobrevoar diversas cidades líbias. Ainda mais, como explicar o forte armamento dos “rebeldes” à favor da deposição de Gaddafi?

Há, portanto, razões para duvidar em muito da tese de que a intervenção na Líbia e a morte de Gaddafi tenham sido meramente por controle do petróleo ou mesmo pela “democratização” do país africano. Indícios existem de que o exército também se faz necessário para garantir o dólar como moeda de reserva única no mundo.

A recente reportagem da RT News fornece mais evidência para a tese de Harvey:

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(*) Achei este vídeo da RT News no Facebook do Marcelo Milan.

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