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Mensurando a Financeirização dos EUA

4 September, 2011 Leave a comment Go to comments

Dando continuidade à sequência de artigos sobre a financeirização da economia norte-americana, apresento agora três medidas que mostram a expansão das atividades financeiras, a financeirização de empresas não-financeiras e o aumento da lucratividade das finanças. Os dados foram computados por Gérard Duménil e Dominique Lévy, e mostram que há uma clara mudança de regime institucional e econômico no pós-1970 nos EUA.

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O primeiro gráfico mostra duas proporções para empresas não-financeiras. A linha contínua representa a proporção de ativos financeiros sobre ativos tangíveis. A linha tracejada representa o total de dívidas sobre ativos tangíveis. Como vemos, ambas proporções estão em ascensão desde o pós-guerra, com destaque para o crescimento acentuado a partir de 1982. O mais interessante é observar que a proporção de ativos financeiros sobre ativos tangíveis para as empresas não-financeiras já tende a 100%.

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O segundo gráfico mostra o valor líquido (net worth) do setor financeiro como proporção do setor não-financeiro. Para este cômputo, estão excluídos os setores de habitação, governo, fundos mútuos e empresas muito intensivas em capital (como telecomunicações, mineração, petróleo etc.). Pode-se ver que a riqueza líquida financeira já soma 30% da riqueza líquida não-financeira.

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O terceiro gráfico mostra as taxas de lucro para o setor financeiro (linha contínua) e para o setor não-financeiro (linha tracejada). Podemos observar que o período de 1948 a 2000 apresenta três fases. No imediato pós-guerra, a taxa de lucro do setor financeiro foi mais alta. Durante a chamada “era Keynesiana”, com a reconstrução da Europa e do Japão e com a vigência dos acordos de Bretton Woods, a taxa de lucro das empresas não-financeira foi muito mais elevada. Já no período neo-liberal do pós-1980, observa-se que a taxa de lucro do setor financeiro voltou a ser muito maior do que a taxa de lucro do setor não-financeiro.

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O estudo completo realizado por Duménil e Lévy encontra-se aqui, e foi publicado em 2004 na RRPE. Para o estudo, foram usados dados das contas nacionais (NIPA tables do BEA) e dados do Flow of Funds Accounts, todos para a economia norte-americana no período de 1948 a 2000. No artigo, os autores explicam como os cálculos foram feitos e quais variáveis estão incluídas ou excluídas.

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