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Hayek Vs. Keynes: Como Solucionar os Ciclos de Negócios?

Hayek e Keynes sempre foram caracterizados como teóricos opostos. No linguajar comum, Hayek foi associado com a ideia de deixar o mercado se auto-corrigir. Já Keynes foi associado com intervenção estatal e políticas anti-cíclicas. Entretanto, uma análise mais cuidadosa dos escritos destes autores revela uma realidade muito diferente e bem mais complexa. O linguajar comum, desafortunadamente, oculta o que há de melhor nas ideias de Hayek e Keynes.

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A tese associada à Hayek sobre deixar os mercados se auto-ajustarem não é correta, ainda que ele fosse abertamente contrário a políticas anti-cíclicas durante as crises. Perguntava-se Hayek: “Por que as crises ocorrem?”. E sua resposta era imediata: as crises ocorrem porque antes há um período de boom econômico. O que causa a crise é a prosperidade da fase anterior. Quando há prosperidade, os agente econômicos se aproveitam do crédito fácil e das baixas taxas de juros para investirem ainda mais. A solução para o mal das crises seria, então, impedir que os ciclos ocorressem. E a forma de fazê-lo era impedindo o crédito fácil e a expansão em demasia nos períodos de ascensão econômica.

Keynes, ao contrário, foi caracterizado pela literatura econômica como um teórico da expansão fiscal e das políticas anti-cíclicas. O que também é uma grande simplificação de seus escritos originais. Como já demonstrou James Crotty neste artigo, Keynes em verdade ironizava as políticas emergenciais para conter crises. O problema central dos ciclos de negócios somente seria evitado, ou grandemente minimizado, se o Estado assumisse o controle de pelo menos 1/3 dos investimento nacionais:

“In the mid 1920s, when Keynes’s vision of this new order solidified, he proposed radical new forms of state economic regulation at both the macro and microeconomic levels. Unfortunately, his approach to both macro and microeconomic theory and policy has been widely misconceived. […] Keynes opposed such standard “Keynesian” tools as permanent deficit spending, and the use of tax and interest rates as counter-cyclical policy tools. Rather, he believed that we should rely on large-scale, long-term public investment as the cornerstone of aggregate demand management. […] He called with equal enthusiasm for the state to adopt powerful industrial policies to regulate enterprise and industry behavior” (Crotty, Was Keynes a Corporatist? Keynes’s Radical Views on Industrial Policy and Macro Policy in the 1920s)

Confira aqui também um interessante debate ocorrido em 26 de julho de 2011 na London School of Economics (LSE) sobre o tema “Hayek vs. Keynes”. Os palestrantes são: George Selgin, Lord Skidelsky, Duncan Weldon, Jamie Whyte, e o moderados é Paul Mason.

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Ou clique aqui para ouvir somente o áudio.

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A palestra é interessante pela defesa das ideia de Hayek, mas falha na caracterização de Keynes. Até Skidelsky deixa de notar que a solução de Keynes para os ciclos de negócios era, como afirma Crotty, o controle estatal de grande parte do investimento privado.

Devo acrescentar também que as ideias de Hayek já tinham sido antecipadas muitas décadas antes por Marx, especialmente nos capítulos do volume 3 do Capital. Marx escreveu diversas vezes que a recessão era causada pela bonança do período anterior, ou seja, Marx foi um dos primeiros a teorizar os ciclos de negócios como ciclos endógenos criados pela sobre-acumulação de capital e pela falta de coordenação das decisões privadas de investimento.

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