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Luddismo no Século XXI? O Fetichismo Atualizado

Pode a tecnologia criar desemprego? Do ponto de vista de teoria marxista a resposta é um claro ‘não’. Mas há aqueles que acreditem no contrário. No século XIX, o movimento luddista na Inglaterra culpava e destruía as máquinas por tirar o emprego de vários trabalhadores. No século XXI o pensamento, infelizmente, continua o mesmo: culpa-se a tecnologia pelo desemprego.

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É comum ouvir a afirmação de que o avanço da tecnologia e as novas máquinas estão roubando o emprego dos trabalhadores. Que estranho, pois não há relatos histórico até o presente momento de que qualquer máquina tenha caminhado por suas próprias pernas e entregado uma carta de demissão a um trabalhador. Por que então pensar que a máquina retirou o emprego do trabalhador? O avanço tecnológico faz um grande serviço às pessoas: aumenta a produtividade do trabalho. Pode-se produzir mais e melhor com igual ou menor quantidade de trabalho.

Quem demite o trabalhador é o patrão, e não a máquina. Quem, portanto, cria desemprego são os capitalistas. O progresso tecnológico, por si só, não tem o poder de aumentar o desemprego. Os capitalistas sim. Mas não é isso o que pensa o deputado Jesse Jackson Jr., democrata de Illinois:

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O luddismo do século XXI na Inglaterra ou o neo-luddismo do século XXI são puros casos do fetiche da mercadoria. Confunde-se a forma social com seu suporte material. Toma-se como natural aquilo que é social. Assim, atribui-se à máquina o que é culpa do capitalismo.

Em uma sociedade socialista a tecnologia não aumentaria o desemprego, mas sim aumentaria o tempo dedicado ao lazer, já que pode-se produzir o mesmo com menos trabalho. A tecnologia seria bem-vinda para reduzir a jornada de trabalho. No capitalismo isso raramente ocorre. A regra é cortar custos e aumentar os lucros. Se não é lucrativo manter o empregado após comprar uma nova máquina, o trabalhador torna-se imediatamente redundante. O problema é o critério do lucro para decidir se o trabalhador continua empregado ou não.

Mais interessante ainda é ver o mesmo deputado Jesse Jackson Jr. culpar os trabalhadores chineses pelo desemprego dos trabalhadores norte-americanos! Aí já é demais. O problema é que esse pensamento é o mais comum nos EUA. Escuta-se este tipo de afirmação a cada esquina. Ao invés de culparem os capitalistas e o sistema pelo desemprego, culpam a tecnologia ou mesmo trabalhadores em outros países!

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