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A Luta de Classes Debaixo do “Teto da Dívida” nos EUA

O centro das atenções mundiais centrou-se na aprovação de um teto mais elevado para a dívida pública do governo dos EUA. Muito se falou, e muito ainda se fala sobre o risco da dívida e sobre um possível rebaixamento do ‘rating’ do governo norte-americano. Mas o significado da disputa financeira e política vai muito além do que afirma a grande mídia. É preciso entender a luta de classes que alicerça os debates sobre o endividamento dos EUA.

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Em primeiro lugar, deixemos claro que a demanda por títulos da dívida pública dos EUA continua muito superior à sua oferta, mesmo para níveis baixíssimo de juros nominais e para juros reais negativos:

“A demanda global dos papéis de vencimento em 30 dias, com relação ao nível de corte do Fed, foi de 5,3 vezes (para cada US$ 1 bilhão vendidos apresentaram-se potenciais compradores de US$ 5,3 bilhões). Nas quatro semanas de julho o Fed vendeu US$ 102 bilhões de papéis com vencimento de 30 dias. As demandas sempre foram mais do que 4,5 vezes o montante vendido, com taxa de juro media inferior a 0,06%. No mesmo mês, o Fed colocou mais de US$ 330 bilhões de papéis com vencimentos entre 30 e 720 dias (contra uma demanda superior a US$ 1,2 trilhão) com suas respectivas taxas de juros praticamente inalteradas” (Delfim Netto, Irracionalidade econômica e racionalidade política – Valor, 02-08-2011)

Além disso, os EUA não têm nenhum histórico de calote e possuem a capacidade de imprimir por sua própria conta a moeda mundial. Por que então o rebuliço? Por que então a pressão das agências de rating e dos investidores internacionais sobre o endividamento dos EUA? A grande mídia não responde a estas importantes questões.

Acredito que uma explicação adequada encontra-se na atual configuração de luta de classes nos EUA. O ponto chave é que o projeto neoliberal é um projeto que favorece os detentores de ativos em detrimento dos assalariados. A crise é somente o momento extremo, como dizia Adorno, através do qual a verdade se revela.

A recessão foi causada pelos capitalistas e está sendo paga pelos trabalhadores. Até agora nenhuma concessão econômica foi feita pela classe capitalista. Nenhuma! Não há aumento de impostos para o capital, para os ricos e nem para os investidores financeiros. O bailout garantiu que eles tampouco perderão seu dinheiro largamente investido no cassino dos derivativos.

O que o bailout sim garantiu foi que os trabalhadores pagassem a conta, via impostos ou via cortes de gastos sociais. E é isto que está em jogo com a pressões mundiais sobre a “necessidade” de controlar o endividamento do governo. As agências de rating não fazem nada mais que jogar o jogo neoliberal: o de garantir que as benesses econômicas afluam para os ricos e para os detentores de ativos. A ameaça de rebaixar a classificação de risco do governo norte-americano, e a absurda insistência da mídia sobre este problema, somente somam mais forças contra os trabalhadores, pois aumenta a pressão ideológica para equilibrar o orçamento estatal. Só que o equilíbrio do orçamento será assegurado via cortes de gastos sociais e sem qualquer aumento de impostos para o capital.

A pressão sobre o endividamento dos EUA é uma pressão direta sobre os trabalhadores daquele país. Encontrar uma “solução” significa, no projeto neoliberal, garantir que os ricos não percam nada e que os pobres paguem tudo. As agências de rating, assim como o partido Republicano, operam funcionalmente.

A entrevista abaixo de Richard Wolff para o DemocracyNow explica bem o mecanismo:

Parte 1:

Parte 2:

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