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A Indústria no Brasil: Especialização Precoce e em Produtos de Baixo Valor Agregado

Os 8 anos de FHC e os 8 anos do governo Lula deixaram marcas negativas profundas na economia brasileira. A primeira delas foi que o sistema produtivo brasileiro se concentrou ainda mais em produtos de baixo valor agregado, como produtos agrícolas e minerais. A produção de itens com alto valor agregado vem perdendo espaço paulatinamente. O que salvou o governo Lula foi o incrível aumento dos preços e do volume exportado destas commodities de baixo valor, o que explica os saldos comerciais positivos apesar da piora estrutural da produção doméstica. A segunda marca negativa é que o Brasil passou da fase de diversificação para a fase da concentração industrial muito antes do que seria o ideal. Ao contrário dos países industrializados e ao contrário dos países asiáticos, o Brasil deixou de diversificar o seu parque industrial em níveis de renda per capita muito baixos para o padrão internacional. Desta forma, a economia brasileira apresenta duas fraquezas estruturais que se complementam perigosamente: a especialização precoce e a especialização em produtos de baixo valor agregado. Os efeitos potencialmente negativos ainda não se concretizaram por conta da forte demanda chinesa pelos produtos de baixo valor que o Brasil exporta. O saldo comercial positivo do governo Lula esteve muito mais associado a efeitos exógenos à economia brasileira do que aos ganhos de produtividade da indústria doméstica.

Estes resultados foram calculados pela pesquisadora Laura Carvalho, e o estudo completo encontra-se aqui. Além das análises empíricas, destaca-se também o resultado teórico de que o desenvolvimento econômico precede a especialização comercial. Tal resultado foi originalmente apresentado por Imbs e Wacziarg (2003) na American Economic Review, e representou um duro golpe contra as teorias canônicas do comércio internacional. Os modelos de David Ricardo e de Heckscher-Ohlin previam que o desenvolvimento ocorreria como resultado da especialização dos países no comércio internacional. Imbs e Wacziarg mostraram que historicamente ocorreu o contrário: os países industrializados se desenvolveram via diversificação industrial, e somente começaram a se especializar após ultrapassarem altos níveis de renda per capita. A especialização comercial não é causadora do desenvolvimento. O caso brasileiro é preocupante porque a indústria nacional começou a especializar-se em níveis muito baixos de desenvolvimento econômico. A indústria no Brasil se especializa quando deveria estar diversificando. E se especializa justamente em produtos de baixo valor agregado.

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