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Câmbio Valorizado, Consumo Ascendente e Produção Física Estagnada no Brasil

15 January, 2011 Leave a comment Go to comments

O extremo conservadorismo do Banco Central durante o governo Lula, de 2003 a 2010, levou o Brasil a manter uma taxa cambial super valorizada por conta da manutenção de um diferencial de juros sem precedentes. O Brasil segue tendo a maior taxa real de juros básica (a que remunera os títulos do governo) do mundo – mesmo em tempos de crise mundial e de fortes reduções nos juros básicos ao redor do planeta. A consequência está refletida nos gráficos que montei rapidamente com dados do PIM-PF (pesquisa industrial mensal – produção física) e da PMC (pesquisa mensal de consumo) do IBGE. As séries vão de 2003, início do governo Lula, até o final de 2010. Pode-se ver claramente que a partir de setembro de 2008 a tendência ascendente da produção interna foi interrompida  abruptamente pela forte crise mundial. A partir de então a série mostra a recuperação, entretanto não ultrapassando o patamar pré-crise. Já do lado do consumo a história é bem diferente. O volume de vendas no varejo não parou de subir, nem com a crise mundial. Se a produção está estagnada e o consumo continua crescendo sem freios, a diferença tem de ser bancada pelas importações, o que é confirmado pelo terceiro gráfico, que reproduz o volume de importações pelo Brasil, de acordo com as séries do Banco Central. O saldo da balança comercial (exportações menos importações) sofreu forte redução. É possível ver a desaceleração das exportações a partir de julho de 2010, com o contínuo aumento das importações, estas puxadas pelo aumento da renda nacional. O saldo em transações correntes é negativo por conta da balança de rendas e serviços, com destaque para os impactos negativos da repatriação de lucros de empresas estrangeiras. O resultado total do balanço de pagamentos se mantém positivo por conta do grande influxo de capitais, decorrente do grande diferencial de juros básicos no Brasil. Em resumo: os altos juros valorizaram muito o câmbio, corroendo o saldo comercial e desestimulando a produção doméstica. Enquanto o consumo das famílias continua aumentando, a produção doméstica segue estagnada e o diferencial é recheado pelas importações, agora muito mais baratas.

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Todos os dados são mensais. Nos dois primeiros gráficos os dados são índices (com anos base 2002 e 2003), enquanto que no terceiro os dados são absolutos em milhões de dólares.

Clique nas figuras para ampliá-las.

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