Home > Economia e Política no Mundo > Os Perigos do Déficit Zero

Os Perigos do Déficit Zero

“I was at a meeting in Cambridge last month where the managing director of the IMF said he was against deficits but in favor of saving, but they’re exactly the same thing! A government deficit means more money in private pockets. The way people suggest they can cut spending without cutting activity is completely fallacious. This is appalling in Europe right now. The Greeks are being asked to cut 10 percent from spending in a few years. And the assumption is that this won’t affect GDP. But of course it will! It will cut at least 10 percent! And so they won’t have the tax collections to fund the new lower level of spending. Spain was forced to make the same announcement yesterday. So the Eurozone is going down the tubes”

James Galbraith, The Danger Posed by the Deficit ‘Is Zero’.

Será que James Galbraith está correto?

.

As projeções do FMI e do BC Europeu, ao contrário do que diz Galbraith, incorporam a redução no nível de produto agregado. No fundo a estratégia é a mesma do que ocorria com o padrão-ouro até 1913: a fim de salvar uma paridade cambial fixa, sujeita-se os países membros a ajustarem radicalmente seus níveis internos de preços, salários e renda. O caso do Euro é muito similar. Países membros com problemas econômicos não podem desvalorizar o câmbio nominal, justamente porque não emitem moeda soberana, e são forçados então a desvalorizar o câmbio real pelo pior método possível, qual seja, a deflação de salários e preços domésticos. E como se consegue isso? Com altas taxas de desemprego. Já está claro quem é que vai pagar a conta.

O melhor exemplo do futuro da Grécia é a Látvia, que pasará por 10 anos de recessão e forte desemprego para salvar a paridade do Euro. A Argentiva, em 1998, escolheu outro caminho. Quando tinha paridade fixa com o dólar, a deflação interna de preços e salários não foi suficiente para corrigir o problema no balanço de pagamentos. Em 2001 o sistema financeiro argentino vai à bancarrota e o governo declara moratória da dívida. Em 2002 declara o fim o câmbio fixo.

Qual a diferença do caso argentino em relação ao caso da Látvia? A Látvia seguiu com o câmbio fixo do Euro e sofre todas as consequências do ajuste recessivo e deflacionário ao estilo padrão-ouro clássico. A Argentina de fato sofreu uma contração, mas por um período de tempo muito mais curto, que foi seguido com crescimento contínuo pelos anos seguintes.

Por quê, então, a Grécia não segue o exemplo argentino? Simplesmente porque enquanto que a Argentina emite moeda soberana, a Grécia não.

Veja aqui o artigo de Mark Weisbrot com gráficos interessantes.

.

.

(*) Agradeço ao Fernando Lara e a Adam Hersh por terem enviado os artigos.

.

.

.

.

.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s