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Folha de São Paulo Apóia a Hegemonia dos EUA no Oriente Médio

O jornal Folha de São Paulo apóia abertamente a política hegemônica dos EUA nos Oriente Médio. Em um artigo para a Folha Online a jornalista da BBC Brasil em Washington, Alessandra Corrêa, não poupa palavras ao concordar com a idéia de que a política externa do governo Lula pode causar instabilidades internacionais justamente por não dar suporte às sanções norte-americanas contra o Irã. Esse tipo de argumento, tão comumente divulgado pela mídia de direita no Brasil e no mundo, não reflete a verdade histórica do Oriente Médio e, ainda mais, quer perpetuar a atuação dos países emergetes como meros coadjuvantes. Veja aqui por quê.

No artigoPostura brasileira ignora repressão bruta no Irã, diz jornal americano“, tanto a Folha de SP, quanto o NYT e a BBC defendem claramente a tese de que o Irã traz mais instabilidade ao Oriente Médio, e que a intervenção brasileira nas negociações favorece o regime anti-democrático iraniano. Entretanto, essa tese falha no teste hirstórico. Vamos aos argumentos (que são estratégicamente ocultados pelo referido artigo):

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  • O país que mais recebe dinheiro dos EUA no mundo é Israel, sendo seguido em segundo lugar pelo Egito (que controla o canal de Suez).
  • Israel possui declaradamente diversas ogivas nucleares, e não quer assinar o tratado de não-proliferação de armas nucleares.
  • Israel já invadiu o Líbano 5 vezes nos últimos 30 anos e avança paulatinamente sobre territórios palestinos. Israel, portanto, é uma potência imperialista dentro do Oriente Médio, financiada abertamente pelos EUA e pela Alemanha.
  • O Irã não exerce o papel imperialista no Oriente Médio que Israel exerce. Assim, quem é que gera instabilidade na região, Israel (apoiado pelos EUA) ou o Irã (contrário aos ditames norte-americanos)?
  • Os EUA dizem que o Irã é perigoso por sua falta de democracia interna e por seu suposto desejo de ter uma bomba atômica, o que justaficaria a imposição de sanções internacionais sobre o mesmo. Entretanto, a China, que tem um regime evidentemente autoritário e anti-democrático, atualmente é a maior parceira comercial e financeira dos EUA. Argumento este que vale também para o Iraque, na época em que era apoiado financeira e militarmente pelos EUA, e também para o Egito e Arábia Saudita. Todos estes países têm regimes não-democráticos, mas todos são parceiros estratégicos dos EUA. Só o Irã que não o é.
  • O Irã, depois da revolução contra os Xás, tornou-se um centro de resistência contra o avanço dos EUA no Oriente Médio. De fato, o Irã nunca fez nada contra os EUA. A única coisa que o Irã fez contra os EUA foi não aceitar fazer o que os EUA querem. Só isso. Mas já basta para serem classificados com anti-democráticos ou terroristas.
  • O artigo da Folha e do NYT afirmam que o Lula pode causar instabilidade no Oriente Médio se as negociações falharem. O Brasil vai causar instabilidade no Oriente Médio!!! Essa é boa. Os EUA e sua filial na região, Israel, nunca são mencionados como o centro causador da instabilidade!

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  1. 7 October, 2010 at 23:08

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