Acompanhe aqui na íntegra a entrevista do economista Delfim Netto para o programa Canal Livre da rede Bandeirantes. Delfim falou sobre os caminhos da economia mundial e como o Brasil participará neste cenário de grandes mudanças. A crise na Europa, a competição chinesa, o risco de desindustrialização no Brasil, a exportação de produtos primários, a valorização cambial e os juros são alguns dos temas abordados.
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Os setores que mais crescem no Brasil são a extração mineral e as finanças. Já mostramos em um artigo anterior que a economia brasileira está regredindo na cadeia industrial, cada vez mais especializada em produtos de baixo valor agregado. Dados mais recentes mostram que o setor financeiro não pára de crescer. O Brasil do começo do século XXI é o Brasil das finanças, do extrativismo primário e da regressão industrial.
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“A curto prazo, na âncora cambial repousa a política anti-inflacionária. A valorização sustentada do real reduz o preço dos produtos importados e evita (na ausência do imposto de exportação) o encarecimento excessivo dos produtos brasileiros exportados. É extremamente perversa a repercussão da hipervalorização do real sobre a atividade econômica interna. Empresas que dominam fatias de mercado e que, antes, produziam internamente, passam a importar produtos do exterior. Há destruição de elos das cadeias produtivas, e de empregos. De vagões ferroviários até lápis e borracha escolar, são hoje milhares de produtos importados que o Brasil produzia e domina a tecnologia” – Carlos Lessa
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“no plano econômico, continuamos com uma das taxas de juros mais elevadas do mundo, o que torna o país presa fácil dos especuladores, nacionais e internacionais, fragilizando sua situação na conta de transações correntes. Por sua vez a valorização do real, que em alguns momentos atingiu níveis antes impensáveis, começa a colocar em risco a viabilidade econômica de vários setores industriais, o que não pode ser contrabalançado indefinidamente com reduções tributárias e expõe o país à possibilidade de uma crise de balanço de pagamentos em um futuro próximo”.
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O anúncio de mais um pacote fiscal nos EUA, no montante de 600 bilhões de dólares, inundou os mercados norte-americano e mundial com dinheiro fácil e excesso de liquidez. Não há dúvidas de que os EUA querem promover sua recuperação econômica às custas de uma guerra internacional de moedas. O dólar se desvaloriza e ajuda a equilibrar as contas externas dos EUA, mas isso causa efeitos contracionistas diretos no resto do mundo. Como os EUA não conseguem tirar o país da recessão via estímulos à demanda agregada real, o farão via demanda agregada nominal com injeções puras de liquidez no sistema financeiro. Como as empresas norte-americanas não estão investindo, somado ao fato de que os bancos tampouco estão emrpestando, o resultado é que este estímulo irá formar bolhas em outros mercados, como o mercado de câmbio mundial. O efeito desejado, ao que parece, é a desvalorização mundial do dólar e uma possível apreciação da moeda chinesa. O problema é que essa prática, conhecida como “beggar thy neighbor”, implica salvar um país grande (como os EUA) jogando o problema para outros países, que sofrerão através de déficits no balanço de pagamentos.
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“O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999. Segundo mito; Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal”
- Theotonio dos Santos, Carta Aberta a Fernando Henrique Cardoso
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