Frase da Semana
"Enfim, no afã de mostrar uma economia em frangalhos, O Globo exibe números simplesmente não correspondem à realidade da economia venezuelana. Veja bem: eu nem estou falando de interpretação dos dados, mas sim de dados equivocados! Seria importante oferecer ao leitor de O Globo uma correção dessas informações – mas não na forma de errata ao pé de página, mas em uma reportagem que apresente ao leitor a economia venezuelana como ela é, e não o caos que O Globo gostaria que fosse. E, por favor, nos próximos infográficos, exibam suas fontes."
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Tornou-se já bem comum escutar frases como “estou investindo em meu capital humano”. O termo aparece também com frequência em publicações acadêmicas atuais sobre educação, especialmente na área de micro-econometria. O senso comum claramente emprestou da teoria neoclássica a ideia de “capital humano”, a de que os indivíduos devem investir em treinamento e conhecimento a fim de valorizarem seu próprio capital individual. O conceito surgiu originalmente na teoria econômica nos anos 1950 com os escritos de Pigou e foi posteriormente popularizado por Gary Becker nos anos 1960 na escola de Chicago. Para Becker, o capital humano que cada um possui é, acima de tudo, um meio de produção que gera valor para si próprio. Seu retorno pode então ser calculado como o lucro em relação aos investimentos em educação, conhecimento e saúde. Neste breve artigo teço alguns comentários sobre o conceito de capital humano sob a ótica da teoria marxista.
Dando prosseguimento à primeira entrevista no programa Moyers & Company, o professor Richard Wolff retorna para uma segunda rodada a fim de melhor explicar o seu projeto de democratizar por dentro as empresas nas quais trabalhamos. Wolff aproveitou a oportunidade, que foi ao ar em cadeia nacional pela PBS norte-americana, para explicar quais são as diferenças entre uma empresa capitalista, na qual as decisões são tomadas de cima para baixo, e uma empresa dirigida pelos seus próprios funcionários, na qual as decisões são tomadas de baixo para cima de forma cooperativa. A origem da desigualdade de renda, hoje crescente em países desenvolvidos e subdesenvolvidos, está na estrutura hierarquizada das empresas. Se os malefícios do capitalismo devem ser superados, a prática da democracia precisar então abarcar as relações sociais dentro do local de trabalho. O aspecto mais negativo do capitalismo, afirma Wolff, advém do fato das empresas capitalistas serem organizações hierárquicas fortemente anti-democráticas. A superação do capitalismo passa, portanto, pela democratização do local de trabalho.
Desde 1911 a China passou por diversas fases de grandes alterações políticas e econômicas. Em 1911 os revolucionários republicanos derrubaram de vez a monarquia e instauraram a primeira república chinesa. Anos mais tarde, nacionalistas e comunistas deram início a uma longa e sangrenta guerra civil pelo controle do país, em meio à também invasão e tentativa de colonização japonesa. A consequente vitória dos maoístas em 1949 abriria então uma nova fase de desenvolvimento econômico assentado no planejamento centralizado, na liderança carismática e incontestável de Mao Tse-Tung e na implementação de políticas socialistas através de uma estrutura hierarquizada pelo partido comunista chinês. Mas o grande líder camponês também viria a ter seus altos e baixos. Com todo o apoio popular que ganhou com a longa marcha dos anos 1940, Mao levou o povo chinês ao desastre de proporções históricas da revolução cultural, culminando com a morte por fome de aproximadamente 25 milhões de chineses. Com seu falecimento em 1976 e a ascensão de Deng Xiaoping ao comando do partido, a China entraria em uma nova fase de grandes mudanças econômicas e culturais. Xiaoping introduziu novas políticas de cunho capitalista e ganhou apoio popular com a revigoração da agricultura e da pecuária. As reformas e os novos incentivos econômicos propostos nos pós-1980 levariam a China a um período de rápido desenvolvimento com grandes investimento estatais e com o estreitamento das relações com as potências ocidentais. Com o crescimento da desigualdade social e com as crescentes pressões por liberdade de expressão, Xiaoping se viu envolto em levantes populares que já não mais podia controlar. A china do século XX foi, assim, um país de grandes batalhas e cenário de acontecimentos que marcaram o mundo moderno. Acompanhe aqui na íntegra o documentário “China: Um Século de Revoluções” que narra esses grandes feitos do povo chinês desde 1911.
Tornou-se comum o pensamento de que os bancos somente podem emprestar o que antes recebem como depósitos. O sistema financeiro assim se reduziria a um mero intermediário que repassa o dinheiro depositado por seus clientes com excesso de poupança para seus outros clientes com deficiência de poupança. O banco lucraria com a o diferencial entre taxas cobradas e recebidas. Simples, essa hipótese é muito difundida pelo imaginário popular, pela televisão, jornais e, ainda mais, pelos cursos de graduação e pós-graduação em economia. O problema central da hipótese de que o sistema financeiro não passaria de um intermediário entre poupadores líquidos e gastadores líquidos é sua falsidade. Os bancos não repassam dinheiro, mas sim criam dinheiro, dinheiro que não existia previamente na economia. A causalidade não vai dos depósitos para os empréstimos, como se o montante de crédito fosse limitado pela quantidade de dinheiro já em circulação. A causalidade opera justamente ao contrário: é a quantidade de crédito emprestado que determina o volume de depósitos à vista. Como então entender que a hipótese de que os bancos são meros intermediários persiste no imaginário tanto de economistas profissionais quanto da população em geral?
O conceito de acumulação primitiva que Marx originalmente desenvolveu abarcava eventos que historicamente serviram para transformar em capitalismo os antigos modos pré-capitalistas de produção. O método usual era o da força bruta e o da violência dos exércitos monárquicos. Exemplos são os cercamentos das terras comuns, a colonização da América, África e Ásia, e a transformação da capacidade humana para trabalhar em mercadoria pela despossessão dos meios de trabalho. O momento presente, entretanto, evidencia mais do que nunca que a acumulação primitiva é parte integrante e necessária da atual acumulação de capital. A privatização de áreas comuns e a monopolização de recursos naturais não estão restritas a uma fase meramente datada de transição ao capitalismo. Estes eventos continuam em curso e são mais contemporâneos do que nunca.
Recentes avanços tecnológicos permitem que veículos aéreos não tripulados realizem ataques militares planejados eletronica e remotamente. Entramos em uma nova era de robôs capazes de automatizarem múltiplas funções simultaneamente, em escala que já ultrapassa em muito a capacidade de cálculo do cérebro humano. O que antes permanecia restrito aos filmes de ficção científica agora já é colocado em uso recorrente por forças militares. De acordo com especialistas, a tecnologia que hoje o exército dos EUA controla é equivalente ao monomotor introduzido na primeira guerra mundial. Ou seja, o grande e verdadeiro avanço ainda está por vir nos próximos anos. Para se ter uma ideia, existem agora mesmo nos EUA mais pilotos de veículos não tripulados sendo treinados do que todos os tradicionais pilotos somados. De espionagem a ataques aéreos, as novas tecnologia introduzidas abrem a caixa de Pandora dos robôs autônomos e veículos auto-controlados. Vários destes já se encontram em fase de testes e em breve serão colocados em prática para fins que vão desde ações humanitárias até invasões sigilosas a outros países. Confira aqui o documentário recentemente produzido pela PBS norte-americana que revela fatos impressionantes das novas tecnologias que já foram implantadas bem como das que ainda estão em fase de desenvolvimento.