O que é economia heterodoxa? Esta foi a pergunta que distintos professores da New School em Nova York se propuseram a debater. O evento durou mais de duas horas e esteve recheado de interessantes discussões acerca dos significados da heterodoxia econômica, ainda que de fato não haja consenso sobre o tema. Os professores participantes foram Edward Nell, Anwar Shaikh, Duncan Foley, Teresa Ghilarducci, Sanjay Reddy e Christian Proaño. O debate foi gravado no dia 4 de maio de 2012 e o vídeo está disponível na íntegra. Acompanhe.
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Issue 131 | May 21 , 2012
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Selma James é uma mulher extraordinária. Ativista social deste muito jovem, deu grandes contribuições ao pensamento e à política da esquerda no mundo. Sempre preocupada com a praticidade e a atualidade do marxismo, esta brilhante mulher logo percebeu um dos limites do discurso comunista: a questão do machismo. Selma cunhou o termo “trabalho não-pago” (unpaid labor) para teorizar o crucial trabalho que as mulheres realizam dentro dos lares. Em sua juventude, notou que as então existentes cartilhas de esquerda deixavam de lado um sistema de opressão que co-existia com a exploração capitalista. Ainda mais, percebeu como a opressão da mulher pelo homem se conectava à formação da força de trabalho. A mulher é a principal responsável pela formação da força de trabalho, mas esta sua tarefa, ainda que crucial, é subestimada pelo machismo presente nas sociedades contemporâneas. O mais interessante é que Selma, ao contrário de muitos acadêmicos, escreveu não somente para teorizar, mas sim para mudar a realidade. Sua contribuição foi central tanto para a luta contra à opressão dentro dos lares quanto para conectar questões de gênero com questões de classe. Selma foi também mulher de C.R.L. James, um dos mais importantes pensadores e ativistas marxistas do século XX.
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Issue 130 | April 30 , 2012
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O paradigma marxista sempre entendeu o capitalismo em sua totalidade. Na tradição da filosofia alemã do século XIX e dos grandes sistemas filosóficos, Marx elaborou uma teoria que explica o modo de produção capitalista como um todo orgânico em constante evolução e desequilíbrio. Mas Marx também notou que apesar de auto-expansivo, o capitalismo não poderia alcançar a auto-suficiência. Isto porque o sistema capitalista não poderia completamente internalizar uma de suas cruciais pressuposições, qual seja: a força de trabalho.
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“Thus, even for those economists with a strong commitment to a more equal and humane world order, the basic assumptions of the conventional economics proved to be a powerful drawback to understanding the new problems brought to the fore by the social movements of the 1960s. Thus, the assumption that human nature, as expressed in individual preferences or consciousness, can be treated as independent of the structure of economic activity, is an unfortunate starting point for an economic analysis of worker alienation, sexism or racism. A discipline whose main analytical tool is the concept of equilibrium and whose conceptual apparatus does not admit the notion of power proved to be a misleading guide to the study of inequality or imperialism. A school of thought virtually devoid of tools of dynamic analysis and which takes the institutions of capitalism as given did not even attempt to understand where the advanced capitalist economy was going. Nor did it provide the basis for a critique of capitalism. The result has been that where conventional economists have attempted to deal with these problems, the result has borne the unmistakable mark of an ad hoc analysis using tools totally inappropriate to the task at hand. When conventional economic analysis is used as the basis for public policy in these areas, the result is generally a program of superficial and ad hoc palliatives, as in the so-called war on poverty”
- Samuel Bowles, Hardly a Surprise (1973)
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Issue 129 | April 9 , 2012
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As práticas imperialistas certamente ganharam novas feições com a dinâmica contemporânea das finanças mundiais. Deveria então o conceito de imperialismo ser modificado a fim de incorporar a lógica da acumulação financeira em escala global? Este foi o tema central de um simpósio realizado na New School University em Nova Iorque em março de 2012. Dentre os participantes da discussão estão Anwar Shaikh, Duncan Foley, Prabath Patnaik, Robin Blackburn e Bob Pollin – moderados por Sanjay Reddy. Acompanhe aqui a sequência de vídeos das apresentações.
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“The problem then is ideology. It was the acceptance of the Western view of knowledge that made India’s elites revere their British rulers and immobilized their powers of resistance. It was Gandhi’s genius that he understood the need to attack this ideology as the precondition of independence. It is the tragedy of the post-colonial era that Gandhi’s message has been lost in the undiscriminating acceptance of the Western view that more is always better, the failure to understand economic growth as chemotherapy for the cancer of poverty-necessary in context but almost as poisonous as the malady it is supposed to cure. The dominance of E-knowledge has had important consequences for the organization of work under capitalism. Despite the necessity of T-knowledge to any production process, workers as well as bosses have accepted that T-knowledge is at best a somewhat illegitimate and deficient form of E-knowledge. This shared understanding has not only legitimized and thus empowered capitalists in their project of controlling the workplace. It has also limited the ability of workers to resist the project of capitalist domination.” - Steve Marglin, Why Is So Little Left Of The Left?
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Issue 128 | March 19 , 2012
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Issue 127 | February 27 , 2012
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O economista João Sayad, ex-ministro do Planejamento e atual presidente da Fundação Padre Anchieta, fala sobre “A Crise no Ethos do Capitalismo”. Ele aborda o dinheiro enquanto símbolo e mostra que coisas aparentemente naturais e imutáveis são, na verdade, construções históricas e culturais. Sayad aproveita também para desbancar alguns mitos econômicos e discute questões financeiras da atualidade. Acompanhe aqui as três partes desta interessantíssima vídeo-aula sobre dinheiro e finanças no capitalismo moderno.
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Acompanhe aqui a vídeo-aula em duas partes com a professora Leda Paulani sobre as crises do capitalismo. Leda usa a teoria econômica marxista para salientar a ideia de que as crises são parte integrante da acumulação de capital: “A crise é a irmã siamesa da acumulação, pois serve para queimar capital em excesso, queima o capital em excesso da sobre-acumulação. A crise é, portanto, a expressão e a solução do problema”. As crises de acumulação, enfatiza Leda, não são crises de falta de dinheiro, senão justamente o contrário: as crises são a consequência do excesso de acumulação de capital. E a sobre-acumulação de capital se faz presente como sobre-acumulação de mercadorias tanto quanto como sobre-acumulação de ativos financeiros.
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Nesta vídeo-aula em três partes, o professor Luiz Gonzaga Belluzzo fala sobre as origens e a natureza da crise mundial. Como sempre, o professor explica os eventos correntes com uma perspectiva histórica e expõe o fim de um paradigma econômico de forma simples e direta. Belluzzo é doutor em economia e professor aposentado do Instituto de Economia da Unicamp, foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (1985-1987).
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Em 1984, o crítico literário e teórico político Fredric Jameson declarou que a escola de Frankfurt e Guy Debord foram argutos em elaborar um nova concepção marxista da produção cultural no capitalismo avançado, mas que contudo não puderam conectar a crítica que desenvolviam com a teoria do valor de Marx. Que interessante, pois é esta mesma a tarefa a que se propõem Rodrigo Teixeira e Tomas Rotta em artigo recente. Se o conhecimento se tornou de fato uma mercadoria no capitalismo, e se sua produção está definitivamente incorporada à acumulação de capital, cabe agora desenvolver uma teoria econômica crítica sobre a mercantilização das ideias.
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Valueless Knowledge-Commodities and Financialization: Productive and Financial Dimensions of Capital Autonomization
Rodrigo Alves Teixeira and Tomas Nielsen Rotta
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Abstract
We present a Marxian theory of the capitalist production of knowledge and of financialization as two processes subsumed under the principle of autonomization of capital. Our approach consists of three tasks. The first is to develop the principle of autonomization. The second is to show how financialization can be a misleading term. The third is to develop a new theory of the production and distribution of valueless knowledge-commodities and knowledge-rent. Our Marxian framework demonstrates how the autonomization of capital manifests itself in its two active dimensions: the financial through financialization, and the productive through knowledge-commodities.
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Issue 126 | February 6 , 2012
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Em 2007, Giovanni Arrighi escreveu o livro “Adam Smith em Beijing” para teorizar a especificidade do capitalismo chinês. A ascensão chinesa certamente representa uma grande mudança para a ordem mundial. Ao que tudo indica, passaremos de um mundo ocidentalizado para um capitalismo com faces orientais. Arrighi defende a tese de que o crescimento da China se sustenta em pilares capitalistas, mas essencialmente distintos do que vimos até agora. Em um debate gravado em Baltimore, EUA, em março de 2008, Arrighi, Joel Andreas e Harvey se encontraram para discutir cara-a-cara o sentido do capitalismo chinês. Evidentemente, nem Harvey nem Andreas concordam com a tese de Arrighi. Argumentam estes que o crescimento chinês é sustentado por políticas essencialmente neoliberais, tão ou mais brutais do que em outras economia capitalista. O debate é realmente excelente e merece ser visto na íntegra.
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Issue 125 | January 19 , 2012
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“Hardt and Negri are here describing the process that the ideologists of today’s ‘postmodern’ capitalism celebrate as the passage from material to symbolic production, from centralist-hierarchical logic to the logic of self-organisation and multi-centred co-operation. The difference is that Hardt and Negri are faithful to Marx: they are trying to prove that he was right, that the rise of the general intellect is in the long term incompatible with capitalism. The ideologists of postmodern capitalism are making exactly the opposite claim: Marxist theory (and practice), they argue, remains within the constraints of the hierarchical logic of centralised state control and so can’t cope with the social effects of the information revolution. There are good empirical reasons for this claim: what effectively ruined the Communist regimes was their inability to accommodate to the new social logic sustained by the information revolution. They tried to steer the revolution, to make it yet another large-scale centralised state-planning project. The paradox is that what Hardt and Negri celebrate as the unique chance to overcome capitalism is celebrated by the ideologists of the information revolution as the rise of a new, ‘frictionless’ capitalism” – Zizek, The Revolt of the Salaried Bourgeoisie
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A grande maioria dos católicos agradece a Deus pela comida na mesa. E assim rezam antes de comer. Mas o que devem fazer aqueles não têm o que comer, ou que têm pouca comida na mesa? Seria Deus injusto? Deveriam estes agradecer a Deus por não terem comida? Outros católicos também agradecem a Deus por terem filhos ou filhas nascidos sem defeitos, sejam estes físicos ou mentais. O que devem fazer então os pais daquelas crianças portadoras de necessidades especiais? Também agradeceriam a Deus por terem filhos “menos perfeitos”?
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É comum, e cada vez mais comum, ver gente rica fazendo caridade ou filantropia. Por que será? Alguns acham que é porque os ricos têm bom coração e carinho pelo próximo, ainda que sejam ricos. Mas é possível também que haja uma explicação um pouco diferente para a atual situação. Acredito que os ricos gostem de caridade por terem medo de que os pobres tomem conta de si mesmos.
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A teoria econômica convencional apoia-se na suposição de que os agentes econômicos são racionais. “Racional” significa simplesmente otimizador, intertemporal ou não, para um dado conjunto de preferências. Racional é aquele indivíduo que busca a melhor forma de atingir uma dada finalidade. O conceito, entretanto, padece de uma tautologia que o enfraquece substancialmente. A tautologia existe porque o princípio da racionalidade é puramente formal, vazio de qualquer conteúdo. E se qualquer ação pode ser teorizada como racional, então o conceito de racionalidade é de fato inútil. Dizer que os indivíduos são otimizadores (ou maximizadores) não implica afirmar nada sobre o que estão otimizando. Para tornar algo racional, só preciso garantir que há otimização, e escolher “adequadamente” o objeto da otimização.
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Divulgo aqui a recém defendida dissertação de mestrado de Iuri Regensteiner, do instituto de economia da UFRJ. Abaixo seguem o resumo do trabalho, intitulado ”O Sistema Inter-Estatal Capitalista Segundo a Escola Francesa da Regulação”, e o link para baixar a dissertação completa.
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