O atual vice-presidente chinês Xi possivelmente se tornará o novo presidente do partido comunista e, dessa forma, também presidente da república popular da China. O mistério que ronda a sucessão presidencial reflete as disputas internas do partido comunista em relação ao projeto econômico chinês. A prevalecente correlação de forças, entre os defensores do projeto capitalista versus aqueles que desejam uma reversão da trajetória atual, ainda não nos permite prever com exatidão qual o caminho a ser adotado pela elite partidária chinesa. A sucessão presidencial na China não será portanto uma mera troca de líderes políticos, pois envolve a disputa mais profunda sobre o padrão de desenvolvimento econômico. A análise é de Minqi Li.
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“Tal noção nos obriga a lembrar que, para além das questões econômicas de redistribuição de riquezas, a política é a esfera na qual demandas de reconhecimento devem ser ouvidas e implementadas. Reconhecer alguém como sujeito político significa primeiro reconhecer que seus sofrimentos e direitos são visíveis. Em nenhum outro lugar essa teoria foi tão esquecida quanto na Palestina. Durante minha viagem à Tunísia, ao Egito e a outros países da região, ficou claro como o significante que melhor organizava as demandas políticas daqueles que colocaram em marcha a Primavera Árabe era “dignidade”. Na Palestina, descobre-se mais facilmente como tal palavra foi enunciada não apenas contra ditadores corruptos como o tunisiano Ben Ali ou o egípcio Hosni Mubarak. Ela foi enunciada contra o Ocidente. Pois, se os povos árabes são tão sensíveis ao problema palestino (contrariamente à clássica insensibilidade de seus governantes), é porque veem nele o sintoma do discurso do Ocidente sobre o Oriente Médio. Ou seja, o ponto que revela o destino que o Ocidente reserva aos povos árabes, quando estes não têm petróleo, ou posição geopolítica privilegiada. O destino da invisibilidade” – Vladimir Safatle, A Cisjordânia e a “política da invisibilidade”
Reuno aqui alguns pensamentos sobre o significado do crescimento chinês e sobre como o capitalismo na China se conecta com movimentos mais gerais do capital internacional. Se desejamos entender melhor como a economia mundial funciona, devemos então passar do nível dos estados-nação para o nível das classes sociais. Uma análise mais profunda das relações comerciais entre China e EUA não pode ficar restrita ao plano nacional. Devemos entender o movimento do capital norte-americano dentro do território chinês, e como este capital com origem nos EUA se relaciona com as especificidades do mercado de trabalho na China. O resultado, ao que tudo indica, é o reposicionamento do neoliberalismo econômico em novas bases.
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Quem deve o quê e a quem? A BBC de Londres preparou um gráfico interativo para evidenciar a rede internacional de endividamento entre EUA, membros da Zona do Euro, Inglaterra e Japão. O gráfico é realmente muito interessante e instrutivo, com dados específicos sobre cada país, seu nível de endividamento externo, e como credores e devedores estão conectados internacionalmente. Basta clicar sobre cada país para obter o gráfico dos fluxos de dívida. As flechas são proporcionais ao volume de endividamento e à direita pode-se ter mais informações acerca do país selecionado. Clique aqui para ir à página do “Eurozone debt web: Who owes what to whom?“
No décimo aniversário da guerra no Afeganistão, a State University of New York (SUNY) em Stony Brook preparou um relatório sobre a composição étnica, origem geográfica, nível de educação, nível de renda, bem como as razões para entrar no exército, dos soldados norte-americanos mortos em combate. O relatório foi preparado com dados dos obituários de todos os 1,446 homens e mulheres que morreram entre 2001 e 2010. Leia aqui o relatório completo, intitulado “American Military Deaths in Afghanistan, and the Communities from Which These Soldiers, Sailors, Airmen, and Marines Came“, de autoria de Michael Zweig, Michael Porter e Yuxiang Huang.
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“O mundo já ingressou na segunda fase da crise. É fácil compreender as razões. A primeira fase atingiu o pico no outono de 2008, quando caíram as grandes instituições financeiras estadunidenses, quando começou a recessão e quando a crise se propagou para o resto do mundo. As lições da crise de 1929 foram bem aprendidas. Os bancos centrais intervieram massivamente para sustentar as instituições financeiras (com medo de uma repetição da crise bancária de 1932) e os déficits orçamentários dos Estados atingiram níveis excepcionais. Mas essas medidas keynesianas, estimulando a demanda, só podiam ter por efeito uma sustentação temporária da atividade. Os governos dos países do centro ainda não tomaram consciência do caráter estrutural da crise. Eles agem como se a crise tivesse sido puramente financeira, já ultrapassada; entretanto, as medidas keynesianas só criaram um sursis. Nenhuma medida antineoliberal séria foi tomada nos países do centro. São apenas políticas que visam o reforço da exploração das classes populares”.
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¿Qué tal si deliramos, por un ratito? Vamos a clavar los ojos más allá de la infamia, para adivinar otro mundo posible:
el aire estará limpio de todo veneno que no venga de los miedos humanos y de las humanas pasiones;
en las calles, los automóviles serán aplastados por los perros;
la gente no será manejada por el automóvil, ni será programada por la computadora, ni será comprada por el supermercado, ni será mirada por el televisor;
el televisor dejará de ser el miembro más importante de la familia, y será tratado como la plancha o el lavarropas;
la gente trabajará para vivir, en lugar de vivir para trabajar;
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A maioria das pessoas, assim como o faz a teoria econômica tradicional, insistem em caracterizar o capitalismo como um sistema de escassez. Famosa tornou-se a definição de ciência econômica como a ciência social que estuda a “produção e distribuição de recursos escassos para fins determinados”. A realidade do capitalismo, entretanto, nos fornece fortes evidências de que ambas produção e distribuição referem-se a bens e serviços em excesso. Longe de um mundo de escassez, o atual sistema econômico acumula estatísticas sobre o desperdício sistemático de recursos.
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Confira aqui na íntegra o documentário que marcou 2010 ao levar a público as estreitas e perniciosas relações entre economistas e a crise nos EUA e Europa. Escrito e dirigido por Charles Ferguson, Inside Job revela como diversos grupos se envolveram profundamente com a expansão e ascensão dos mercados financeiros, em diversos países afora. Ferguson realizou um excelente trabalho investigativo, recheado de entrevistas interessantes, a fim de elucidar algumas das causas da crise econômica atual.
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O economista marxista grego Yanis Varoufakis nos brinda com uma excelente explicação acerca da existência e do colapso do euro. Varoufakis se tornou recentemente um expoente no debate europeu sobre a crise grega. Excelente orador e munido com a astúcia da economia política, este jovem economista aparece agora diariamente em programas de televisão e rádio em muitos lugares da Europa e dos EUA. Aproveite para conhecer seus argumentos a respeito do passado, presente e futuro da Zona do Euro.
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Depois de vários confrontos com a polícia de New York, que tentou removê-los à força, os manifestantes agora tentam ocupar a sede da bolsa em Wall Street. Acompanhe aqui o desenrolar dos eventos, com duas opções de câmeras ao vivo.
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Confira aqui o vídeo produzido pelo The Guardian sobre a evolução da desigualdade de renda nos EUA:
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Um episódio interessante ocorreu em umas das salas de aula mais lotadas da Universidade de Harvard. Em protesto ao conservadorismo excessivo por parte de Gregory Mankiw, seus estudantes se levantaram e saíram caminhando enquanto o professor lecionava seu famoso curso de introdução à economia. Mankiw é conhecido por escrever os manuais de introdução à economia mais bem vendidos no mundo, além de ter sido assessor direto de George Bush na Casa Branca. Cansados do viés excessivamente conservador de Mankiw e em solidariedade aos manifestantes da ocupação de Wall Street, os estudantes de graduação entregaram uma carta ao professor e saíram da sala. Confira aqui mais sobre o ocorrido.
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Os EUA de 1970 a 2010 foram o país em que os ganhos salariais ficaram demasiadamente defasados em relação aos ganhos de produtividade do trabalho. Ainda mais, para 80% dos trabalhadores norte-americanos o salário real decresceu nas últimas décadas. Mas o consumo das famílias seguiu subindo. Dois fatores explicam como foi possível para as famílias continuarem a consumir mais com salários decrescendo: endividamento familiar e os ganhos de capital via efeito riqueza. Acompanhe aqui alguns gráfico bem interessantes.
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Veja aqui o excelente documentário norte-americano Food Inc. sobre a produção capitalista de alimentos. Entenda melhor o que você come e como as empresas privadas de fato produzem o que vai para o seu prato. O documentário foi produzido em 2008 e mostra bem com0 o capital e a busca pelo lucro transformaram a produção de alimentos nos últimos anos. Monopolização de genes e sementes, uso de agrotóxicos e pesticidas, uso de hormônios de crescimento e o excessivo uso de antibióticos, criação intensiva de animais em lugares apertados e fechados, consumo excessivo de milho para o gado, controle corporativos dos supermercados e os crescentes casos de diabetes são alguns dos temas abordados.
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Acompanhe aqui a gravação na íntegra da fala de Richard Wollf na ocupação de Wall Street. Wolff discursou por 20 minutos e depois respondeu perguntas por mais 40 minutos. O discurso foi realmente interessante e focou na democracia no local de trabalho. Wolff é conhecido por ter uma abordagem “microeconômica” do comunismo. Em lugar de enfocar nas mudanças macro, a ênfase de seu discurso recai sobre as relações diretas de trabalho entre as pessoas. Não deixe de conferir.
O filósofo Slavoj Zizek foi à ocupação de Wall Street e proferiu um excelente discurso. Entre suas melhores frases estão: ”we feel free because we lack the very language to articulate our unfreedom. [...] all the main terms we use to designate the present conflict – ‘war on terror’, ‘democracy and freedom’, ‘human rights’, etc – are FALSE terms, mystifying our perception of the situation instead of allowing us to think it”; “It is easy for us to imagine the end of the world – see numerous apocalyptic films – but not the end of capitalism”. Acompanhe aqui o discurso completo, em texto e vídeo.
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O sistema bancário nos EUA está cada vez mais concentrado. O mapa abaixo mostra a evolução recente desta concentração. Clique sobre a imagem para ampliar.

Se você quiser acompanhar 24 horas por dia a ocupação de Wall Street em New York, veja o vídeo abaixo. A transmissão é ao vivo da praça Liberty Park, no sul de Manhattan. Nesta terça, 4 de outubro, Richard Wolff foi até a ocupação para dar uma aula (“teach-in”) sobre socialismo. Clique aqui para ver a gravação. Wolff é professor emérito da Universidade de Massachusetts em Amherst e agora leciona na pós-graduação de relações internacionais da New School, além de dar aulas no Brecht Forum.
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Se você quer entender uma das razões que levam a isto, então veja o gráfico abaixo. Hoje, até Joseph Stiglitz (Nobel em economia) se juntou à manifestação, somando-se a Michael Moore e Cornell West (professor de Princeton). O neoliberalismo, como já disse Saramago, é um mundo para os ricos [clique sobre o gráfico para ampliar]:

A atual crise dos neoliberalismo trouxe milhares de pessoas ao centro financeiro de Nova Iorque. Juntam-se diversos grupos de pessoas, desde desempregados, ativistas sociais, professores, pilotos de avião, sindicatos e demais simpatizantes. E a situação ameaça sair do controle da elite do país. Manifestações semelhantes se espalham por outras importantes cidades norte-americanas. Enquanto isso, a mídia corporativista finge que nada acontece. Os grandes jornais fazem de tudo para esconder os fatos e o crescente descontentamento da população com o sistema capitalista. Acompanhe aqui uma excelente entrevista com o jornalista e escritor Chris Hedges, que falou ao vivo em meio à manifestação em Wall Street.
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Na década de 1990 os países menos desenvolvidos apresentaram taxas de crescimento mais altas do que as dos países mais avançados. Além disso, a porcentagem da renda mundial que cabe aos países menos desenvolvidos tem crescido constantemente desde 1990, enquanto que a parcela que cabe aos países mais ricos decresceu simetricamente.
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Confira aqui um vídeo bem instrutivo que mostra de forma simples como os mercados de derivativos sobre commodities podem aumentar a volatilidade dos preços internacionais dos alimentos, contribuindo em muito para o aumento da pobreza e da fome ao redor do mundo:
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