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Arquivo para a categoria ‘Economia e Política no Brasil’

A Hipocrisia na Questão dos Direitos Humanos em Cuba

2 fevereiro, 2012 1 comentário

A mídia de direita no Brasil não perde um minuto. Como fizeram com Lula, agora o fazem com Dilma. O ataque é diário, seja sobre o que for. O tema da vez são os direitos humanos em Cuba. Como Dilma, presidente de um país “democrático” como o Brasil, pode fazer uma visita e apoiar um regime ditatorial controlado pelos irmãos Castro? Que absurdo. Somente Dilma para não entender o que são direitos humanos, não é verdade? Logo ela, uma combatente da ditadura militar no Brasil! O bombardeio é constante. Entretanto, a questão sobre direitos humanos em Cuba é recheada de hipocrisia e moralismo, características típicas do discurso de direita no Brasil. Vejamos aqui o porquê.

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O Massacre de Pinheirinho

24 janeiro, 2012 3 comentários

Theodor Adorno costumava dizer que “a verdade aparece nos extremos”. A desocupação de Pinheirinho é certamente um momento extremo, e a verdade do capitalismo aparece nua. Como uma síntese de especulação imobiliária, favorecimento pessoal e uso da polícia estatal como monopólio da violência, o episódio sórdido em São José dos Campos mostra o que o capitalismo brasileiro tem a oferecer. A total desproporção entre uma comunidade que vive literalmente na lama e o poder econômico de Naji Nahas evidencia como o nosso sistema econômico de fato não existe para satisfazer o que as pessoas desejam. O PSBD do governador Geraldo Alckmin deu uma real lição de falta de democracia e injustiça. Policiais sem identificação e a imprensa impedida de cobrir o evento já denunciavam o teor da operação.

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Um Pouco de História Econômica do Brasil e do Mundo

17 janeiro, 2012 1 comentário

O espectro de abordagens existentes para explicar o funcionamento da economia mundial é amplo. Apresento três visões sobre o mesmo problema, qual seja, a crise da economia mundial e respectivas soluções. A primeira é a análise de Pérsio Arida, um liberal no sentido norte-americano do termo. Sua entrevista, de 16 de janeiro, foi publicada na íntegra na Folha. Mais para a esquerda do espectro temos a economia política do professor Belluzzo, com forte inspiração Keynesiana e Cepalina. O vídeo completo da entrevista, gravada no dia 9 de janeiro e comandada pelo Luis Nassif, segue abaixo. No campo mais radical temos uma recente intervenção do professor Richard Wolff, que evidencia os percalços tanto do liberalismo quanto do keynesianismo nos EUA e na Europa. As três abordagens apresentarão explicações muito distintas sobre a dinâmica mundial e, ainda mais, sobre como solucionar os entraves atuais.

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A Economia Mundial e o Futuro da Economia Brasileira

4 janeiro, 2012 Deixe um comentário

Acompanhe aqui na íntegra a entrevista do economista Delfim Netto para o programa Canal Livre da rede Bandeirantes. Delfim falou sobre os caminhos da economia mundial e como o Brasil participará neste cenário de grandes mudanças. A crise na Europa, a competição chinesa, o risco de desindustrialização no Brasil, a exportação de produtos primários, a valorização cambial e os juros são alguns dos temas abordados.

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Destinos do Lulismo – José Arthur Giannotti e André Singer

1 dezembro, 2011 Deixe um comentário

O Louco de Palestra

17 novembro, 2011 1 comentário

O louco de palestra é o sujeito que, durante uma conferência, levanta a mão para perguntar algo absolutamente aleatório. Ou para fazer uma observação longa e sem sentido sobre qualquer coisa que lhe venha à mente. É a alegria dos assistentes enfastiados e o pesadelo dos oradores, que passam o evento inteiro aguardando sua inevitável manifestação, como se dispostos a enfrentar a própria Morte. Há inúmeras categorias de loucos de palestra, que olhos e ouvidos atentos podem identificar em qualquer manifestação de cunho argumentativo-reflexivo, com a palavra franqueada ao público. Um bom louco de palestra é sempre o último a falar, pois passa o tempo todo digerindo o que foi dito. Só então ele pode dar alguma declaração desvinculada do tema, equivocada, mal-intencionada ou apenas incompreensível. O tipo contempla com desprezo o que se discute, aguarda pacientemente a sua vez e, então, discorda com virulência. “Me corrijam se eu estiver errado”, ele diz a certa altura, só para parecer democrático. “Concordo com tudo o que vocês disseram, mas ao contrário”, prossegue. Ou ainda: “A minha colocação engloba a do companheiro e vai além”, num típico comentário condescendente de loucos de assembleia.

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Marilena Chauí: a Saída da PM Passa por Reorganizar a USP

17 novembro, 2011 Deixe um comentário

Em ato contra a presença da Polícia Militar na USP, a professora de Filosofia Marilena Chauí faz um breve histórico do processo de repressão na universidade. Ela defende que não basta diretas para reitor. É necessário uma reorganização da universidade para que ela se torne um espaço de participação e decisão coletiva. Apesar de a fala ter sido realizada em 16 de junho de 2009, permanece bastante atual:

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Pochmann: Pobres que Trabalham e Estudam Têm Jornada Superior à dos Operários no Século XIX

4 outubro, 2011 Deixe um comentário

O economista Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), classificou ontem à noite em Curitiba como “heróis” os brasileiros de famílias pobres capazes de conciliar o trabalho com o estudo. “No Brasil, dificilmente um filho de rico começa a trabalhar antes de terminar a graduação ou, em alguns casos, até mesmo a pós-graduação”, observou Pochmann. “Os brasileiros pobres que estudam e trabalham são verdadeiros heróis. Submetem-se a uma jornada de até 16 horas diárias, oito de trabalho, quatro de estudo e outras quatro de deslocamento. Isso é mais do que os operários no século XIX.”

A Financeirização da Economia Brasileira: Alguns Dados Recentes

12 setembro, 2011 Deixe um comentário

Os setores que mais crescem no Brasil são a extração mineral e as finanças. Já mostramos em um artigo anterior que a economia brasileira está regredindo na cadeia industrial, cada vez mais especializada em produtos de baixo valor agregado. Dados mais recentes mostram que o setor financeiro não pára de crescer. O Brasil do começo do século XXI é o Brasil das finanças, do extrativismo primário e da regressão industrial.

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A Crise, o Câmbio e os Juros

20 julho, 2011 Deixe um comentário

“A curto prazo, na âncora cambial repousa a política anti-inflacionária. A valorização sustentada do real reduz o preço dos produtos importados e evita (na ausência do imposto de exportação) o encarecimento excessivo dos produtos brasileiros exportados. É extremamente perversa a repercussão da hipervalorização do real sobre a atividade econômica interna. Empresas que dominam fatias de mercado e que, antes, produziam internamente, passam a importar produtos do exterior. Há destruição de elos das cadeias produtivas, e de empregos. De vagões ferroviários até lápis e borracha escolar, são hoje milhares de produtos importados que o Brasil produzia e domina a tecnologia” – Carlos Lessa

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SEP 2011: A Carta de Uberlândia

7 julho, 2011 Deixe um comentário

“no plano econômico, continuamos com uma das taxas de juros mais elevadas do mundo, o que torna o país presa fácil dos especuladores, nacionais e internacionais, fragilizando sua situação na conta de transações correntes. Por sua vez a valorização do real, que em alguns momentos atingiu níveis antes impensáveis, começa a colocar em risco a viabilidade econômica de vários setores industriais, o que não pode ser contrabalançado indefinidamente com reduções tributárias e expõe o país à possibilidade de uma crise de balanço de pagamentos em um futuro próximo”.

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A Indústria no Brasil: Especialização Precoce e em Produtos de Baixo Valor Agregado

17 maio, 2011 1 comentário

Os 8 anos de FHC e os 8 anos do governo Lula deixaram marcas negativas profundas na economia brasileira. A primeira delas foi que o sistema produtivo brasileiro se concentrou ainda mais em produtos de baixo valor agregado, como produtos agrícolas e minerais. A produção de itens com alto valor agregado vem perdendo espaço paulatinamente. O que salvou o governo Lula foi o incrível aumento dos preços e do volume exportado destas commodities de baixo valor, o que explica os saldos comerciais positivos apesar da piora estrutural da produção doméstica. A segunda marca negativa é que o Brasil passou da fase de diversificação para a fase da concentração industrial muito antes do que seria o ideal. Ao contrário dos países industrializados e ao contrário dos países asiáticos, o Brasil deixou de diversificar o seu parque industrial em níveis de renda per capita muito baixos para o padrão internacional. Desta forma, a economia brasileira apresenta duas fraquezas estruturais que se complementam perigosamente: a especialização precoce e a especialização em produtos de baixo valor agregado. Os efeitos potencialmente negativos ainda não se concretizaram por conta da forte demanda chinesa pelos produtos de baixo valor que o Brasil exporta. O saldo comercial positivo do governo Lula esteve muito mais associado a efeitos exógenos à economia brasileira do que aos ganhos de produtividade da indústria doméstica.

Estes resultados foram calculados pela pesquisadora Laura Carvalho, e o estudo completo encontra-se aqui. Além das análises empíricas, destaca-se também o resultado teórico de que o desenvolvimento econômico precede a especialização comercial. Tal resultado foi originalmente apresentado por Imbs e Wacziarg (2003) na American Economic Review, e representou um duro golpe contra as teorias canônicas do comércio internacional. Os modelos de David Ricardo e de Heckscher-Ohlin previam que o desenvolvimento ocorreria como resultado da especialização dos países no comércio internacional. Imbs e Wacziarg mostraram que historicamente ocorreu o contrário: os países industrializados se desenvolveram via diversificação industrial, e somente começaram a se especializar após ultrapassarem altos níveis de renda per capita. A especialização comercial não é causadora do desenvolvimento. O caso brasileiro é preocupante porque a indústria nacional começou a especializar-se em níveis muito baixos de desenvolvimento econômico. A indústria no Brasil se especializa quando deveria estar diversificando. E se especializa justamente em produtos de baixo valor agregado.

O Dia que Durou 21 Anos

28 abril, 2011 Deixe um comentário

Confira aqui os três episódios do excelente documentário O Dia Que Durou 21 Anos“, produzido pela TV Brasil. O documentário mostra de forma muito interessante os antecedentes do golpe militar de 1964, com destaque para a atuação de Lindon Gordon, então embaixador dos EUA no Brasil.

“Em clima de suspense e ação, o documentário apresenta, em três episódios de 26 minutos cada, os bastidores da participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 que durou até 1985 e instaurou a ditadura no Brasil. Pela primeira vez na televisão, documentos do arquivo norte-americano, classificados durante 46 anos como Top Secret, serão expostos ao público. Textos de telegramas, áudio de conversas telefônicas, depoimentos contundentes e imagens inéditas fazem parte dessa série iconográfica, narrada pelo jornalista Flávio Tavares” (TV Brasil)

Veja abaixo na íntegra os três capítulos de 26 minutos cada. Não deixe de conferir.

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Quem Quer Parar o Brasil e Por Quê?

14 abril, 2011 Deixe um comentário

“Entramos e saímos da crise com uma taxa de juros excessivamente alta”. Um erro seminal. Ele explica a reduzida margem de manobra nos dias que correm. “Se tivéssemos hoje uma Selic de 5%”, exemplifica, ‘o que daria uma taxa real em torno de um a um e meio por cento, não haveria grave problema em elevá-la a 6%, esfriando um pouco a demanda, sem causar alvoroço na atratividade a capitais especulativos”. [...] a mesma ortodoxia que agora advoga um choque monetário exigiu a alta irracional dos juros no passado. “As mesmas forças que denunciam a ausência de infra-estrutura adequada ao crescimento sempre se opuseram aos investimentos públicos nessa área”

“A presunção de um equilíbrio estável no processo de desenvolvimento é típica de uma visão de mundo dissociada da história”, dispara Paulani que também é professora da USP e testemunha pesarosa da hegemonia sufocante dessa visão no ambiente acadêmico na última década. “Não se trata apenas de um equívoco teórico, mas de um arcabouço acadêmico de interesses poderosos’, alerta. “Se você trabalha com um sistema que traz intrinsecamente um ponto de equilíbrio, você não precisa do Estado. Decerto e tampouco de uma Constituição como a de 1988, que admite implicitamente o conflito social e não sanciona a autossuficiência dos mercados para construir uma sociedade que proteja seus idosos e aposentados, por exemplo”

- Leda Paulani, Quem Quer Parar o Brasil e Por Quê? - Carta Maior

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Desenvolvimentismo, Nacionalismo e Dependência no Brasil

8 abril, 2011 Deixe um comentário

“O Plano Real foi um sucesso, construído rigorosamente sob uma política heterodoxa – não existiu nada mais heterodoxo do que a URV, nada a ver com as coisas que o FMI e o Banco Mundial nos diziam para fazer. Aí, no dia seguinte que o plano dá certo, o Brasil se entrega novamente de mãos atadas para o Banco Mundial e para o FMI. Ou seja, compõe com o Consenso de Washington, com a ortodoxia internacional. Essa é a política econômica e a política de reformas do Fernando Henrique”

“Aí fui ler outra vez o livro clássico dele e do Enzo Faletto (“Dependência e Desenvolvimento na América Latina”). E vi que Fernando Henrique estava perfeitamente coerente. O que é a teoria da dependência? É uma teoria que vai se opor à teoria cepalina, ou isebiana, do imperialismo e do desenvolvimentismo, que defende como saída para o desenvolvimento uma revolução nacional, associando empresários, trabalhadores e governo, para fazer a revolução capitalista. O socialismo ficava para depois. A teoria da dependência foi criada pelo André Gunther Frank, um notável marxista alemão que estudou muitos e muitos anos na Bélgica e que em 1965 publicou um pequeno artigo chamado “O desenvolvimento do subdesenvolvimento”, brilhante e radical. É a crítica à teoria da revolução capitalista, à teoria da aliança da esquerda com a burguesia. É a afirmação categórica de que não existia, nunca existiu e nunca existiria burguesia nacional no Brasil ou na América Latina. No Brasil, os seguidores de Gunther Frank eram o Ruy Mauro Marini e o Teotônio dos Santos, mas no final, e curiosamente, o seguidor deles mais ilustre vai ser o Florestan Fernandes maduro. Eles concordam que não existe burguesia nacional. Quando a burguesia nacional é compradora, entreguista, associada ao imperialismo, a única solução é fazer a revolução socialista. É bem louco, mas é lógico. Aí vieram o Fernando Henrique e o Enzo Faletto e disseram que havia alternativa, a dependência associada. Ou seja, as multinacionais é que seriam a fonte do desenvolvimento brasileiro, cresceríamos com poupança externa. Era a subordinação ao império. Claro que o império ficou maravilhado. A teoria da dependência foi um grande sucesso – e tem um artigo realmente engraçado do Fernando Henrique, em que ele fala com surpresa da grande recepção que teve a teoria da dependência associada nos Estados Unidos. Ele é um homem inteligente e correto, não estava fazendo uma adesão, mas o fato concreto é que os outros liam e faziam suas interpretações. Na prática, era uma maravilha: a esquerda americana, que se reúne nas conferências da Latin American Student Association, nos Estados Unidos, encontrava um homem democrático de esquerda que via nos Estados Unidos um grande amigo na luta pela justiça social. Quando fiz essa revisão, estava começando a romper com o PSDB”

“Em 1988, fui um dos fundadores do PSDB. Na época da fundação, o Montoro não queria o nome de social-democracia para o partido, porque tinha origem na democracia cristã, que a vida inteira tinha lutado contra os social-democratas na Inglaterra, na Alemanha e na Itália. Nós ganhamos, pelo fato de sermos centro-esquerda. Mas aí ele dizia: “Muito bem, mas e se esse bendito PT, que se diz revolucionário, que tem propostas para a economia brasileira completamente irresponsáveis, chega no poder ou perto do poder e se domestica, e se torna social-democrata, como aconteceu na Europa? Eles têm toda uma integração com os trabalhadores sindicalizados, que nós não temos, então nós vamos ser empurrados para a direita”. E foi isso que aconteceu”

- Bresser Pereira, Por Uma Ideia de Nação – Valor Econômico

Brasil, Irã e o Conselho de Segurança da ONU

3 abril, 2011 1 comentário

“No dia 24 de março, o Brasil apoiou a resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas que instituiu um Relator Especial para investigar a situação no Irã. Esse tipo de relator sobre um país específico, do ponto de vista simbólico, representa o nível mais alto de questionamento sobre o estado dos direitos humanos. [...] Evidentemente, tais ações só puderam ser tomadas e só tiveram efeito porque havia um certo grau de confiança na relação entre Brasília e Teerã, grau de confiança que não impediu que o presidente Lula tenha demonstrado ao presidente iraniano o absurdo de suas declarações que negavam a existência do Holocausto ou que propugnavam pela eliminação do Estado de Israel. Parece-me muito improvável que o governo brasileiro se sinta à vontade para esse tipo de démarche depois do voto do dia 24. Ou caso se sinta, que os nossos pedidos venham a ser atendidos. Muito menos terá o Brasil condições de participar de um esforço de mediação como o que empreendemos com a Turquia, em busca de uma solução pacífica e negociada para a questão do programa nuclear iraniano (o que, certamente, fará a alegria daqueles que desejam ver o Brasil pequeno e sem projeção internacional)”

- Celso Amorim, Carta Capital

Conceição Tavares: Liquidez, Câmbio e Juros no Brasil

22 março, 2011 Deixe um comentário

“Meu temor não é a inflação, é o câmbio. Aliás, eu não entendo porque o nosso Banco Central continua subindo os juros, ainda que agora acene com alguma moderação. Mas foram subindo logo de cara! Num mundo encharcado de liquidez por todos os lados, o Brasil saiu na frente do planeta… Subimos os juros antes dos ricos, eles sim, em algum momento talvez tenham que enfrentar esse dilema inflacionário. Mas nós? Por que continuam a falar em subir os juros se não temos inflação fora de controle e a prioridade número um é o câmbio? Não entendo… [...] Baixar agora já não é mais suficiente. Nosso problema cambial não se resolve mais só com inteligência monetária. Meu medo é que a situação favorável aqui dentro e a super oferta de liquidez externa leve a um novo ciclo de endividamento. Não endividamento do setor público, como nos anos 80. Mas do setor privado que busca lá fora os recursos fartos e baratos, aumentando sua exposição ao risco externo. E quando os EUA subirem as taxas de juros, como ficam os endividados aqui? [...] Você tem um tsunami de liquidez externa. Como impedir as empresas de pegarem dinheiro barato lá fora? Vai proibir? Isso acaba entrando por outros meios. Talvez tenhamos que implantar uma trava chilena. O ingresso de novos recursos fica vinculado a uma permanência mínima, que refreie a exposição e o endividamento. Mas isso não é matéria para discutir pelos jornais. É para ser feito. Decidir e fazer”

- Conceição Tavares – Carta Maior

Leda Paulani: Cadê a Crise no Brasil?

20 março, 2011 Deixe um comentário

“A crise não começou em setembro de 2008. Começou muito antes, algumas décadas antes. Segundo, a crise não foi produzida pelo mercado imobiliário americano, ainda que tenha sido revelada aí a ponta do iceberg, mas produzida por causas estruturais. Na realidade, o capitalismo, desde o final dos anos 1960, viu agravar-se um processo que alguns economistas de extração marxista denominam sobreacumulação de capital, ou seja, o fato de existirem determinados períodos em que há excesso de capital para as possibilidades disponíveis de aplicação produtiva lucrativa. Quando isso acontece, diversos expedientes entram em cena para contornar o obstáculo. Um dos mais acionados é a busca de valorização financeira, ou seja, de acumular capital por meio de empréstimos e aquisição de ativos financeiros. Na maior parte dos casos, tal busca implica também valorização fictícia, aquela valorização que aparece por obra e graça da mera circulação do capital, ou seja, da compra e venda de ativos, fictícios ou não”.

“O excesso de liquidez mundial num mundo patrulhado pelos imperativos neoliberais é o responsável maior pela crise. E qual o remédio adotado? Uma cavalar dose de liquidez aplicada pelos estados nacionais… coisa da ordem de trilhões de dólares! sem contar os US$ 600 bilhões recentemente anunciados pelo governo americano. Mas, se, de imediato, isso parece minorar os efeitos primeiros e mais agudos da crise, no médio prazo só faz aumentar o descompasso que está em sua origem. Haja contradição!”

“Os países emergentes como o Brasil vêm sofrendo do mal contrário, mas não menos perigoso, expresso na contínua valorização de suas moedas. Por aqui, as consequências dessa situação já despontaram há algum tempo, com o desestímulo à produção nacional e o retrocesso do país à condição de exportador de commodities e bens de baixo valor agregado. Eis o outro lado da moeda de o país ter se tornado potência financeira emergente e plataforma internacional de valorização financeira”

Confira aqui a análise completa de Leda Paulani.

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E a CPI do MST, no Que Deu Afinal?

2 março, 2011 Deixe um comentário

Depois de tanto escarcéu criado pelos jornais a respeito de supostas irregularidades nas contas do MST, o que levou à criação da CPI do MST no congresso, a dita comissão acabou por reconhecer a inexistência de qualquer problema. A bancada ruralista não conseguiu provar nada. O que lograram foi mesmo criminalizar o MST na mídia, mais uma vez, sem qualquer prova ou indício de irregularidade:

“O requerimento que criou a chamada “CPMI do MST” foi apresentado pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) em 21 de outubro de 2009. Seu intento explícito era o de criminalizar a luta pela reforma agrária. Ao longo das 13 reuniões oficiais, foram ouvidas dezenas de pessoas – de integrantes de entidades e associações que desenvolvem atividades no meio rural a membros das mais diversas pastas do Executivo federal, passando por especialistas na questão agrária. Em julho passado, o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP) apresentou seu relatório final, no qual frisava a “inexistência de qualquer irregularidade no fato de as entidades manterem relações e atenderem público vinculado a movimentos sociais”. Mas os propositores da CPMI pressionaram com a ameaça de um voto em separado e conseguiram forçar a sua prorrogação por mais seis meses. O prazo da prorrogação chegou ao fim, no final de janeiro, sem que nada mais fosse votado ou discutido” (do Brasil de Fato).

Clique aqui para outra reportagem sobre o tema do papel político da imprensa brasileira em divulgar extensivamente a criação da CPI, e depois esconder o seu encerramento sem ter chegado a qualquer evidência de crime. É bom lembrar também que as acusações contra o MST feitas pela Cutrale tampouco levaram a lugar algum:

“a confirmação do encerramento formal da CPMI do MST surge no bojo do anúncio da decisão unânime da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), que determinou o trancamento do processo instaurado contra integrantes do MST, acusados da prática de crimes durante a ocupação da Fazenda Santo Henrique/Sucocitrico Cutrale entre agosto e setembro de 2009, mesma época em que foi articulada a ofensiva contra os sem-terra que veio a dar origem à comissão” (do Escrevinhador)

Bolha Subprime no Brasil?

28 fevereiro, 2011 Deixe um comentário

“the debt service burden has risen to 24 per cent of disposable income and is set to rise further as rates push higher. We expect the burden to rise to an exorbitant 30 per cent by 2012. To put this into context, the US consumer “blew up” when the debt service burden hit 14 per cent (with a current read of approximately 12 per cent). In other words, the Brazilian consumer has twice the debt load from a cash flow perspective relative to a US consumer who is still widely regarded as being over leveraged. The situation in Brazil is worryingly similar to the sub-prime crisis in the US. A lot of credit is being pushed by the banks at high rates to consumers who ultimately won’t be able to service the debt. There are also ominous signs of what economist John Kenneth Galbraith called the “bezzle” beginning to appear above the surface. In November 2010, a small bank, Panamericano, was found to be fudging its credit losses in consumer lending”

Brazil May be Heading for a Subprime Crisis, Financial Times

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Panamericano e Votorantim: Novamente o Dinheiro Público Salva um Banco Privado no Brasil

23 fevereiro, 2011 Deixe um comentário

A história se repete mais uma vez. Já foi o caso quando o governo federal salvou o Banco Votorantim da falência imediata. Ao invés de financiar produção e vendas da empresa Votorantim, o banco resolveu fazer dinheiro fácil no mercado de derivativos. Tomou um pau e quebrou as contas. Faliu como um cassino. O Banco do Brasil, a mando do governo e dos lobistas da Votorantim, foi lá, comprou 50% das ações, tampou o rombo e, incrivelmente, não assumiu o controle! Deixou tudo como estava antes. Usaram dinheiro público para salvar um banco privado e nem assumem o controle. Impressionante. Agora a tragédia se repete com o caso do PanAmericano. O banco do Silvio Santos vai à bancarrota, o Pactual o compra por menos de meio bilhão de reais e a Caixa Econômica entra potencialmente com até 10 bilhões dos cofres públicos para fechar o rombo. Um verdadeiro negócio da China, tanto para o PanAmericano quanto para o Pactual. O Silvio Santos deve estar rindo à toa. O BTG Pactual entra com 450 milhões, muitíssimo menos do que o que a Caixa e o FGC aportaram, e ainda fica com o controle. Incrível. Todo mundo no setor privado saiu ganhando às custas do dinheiro do estado.

Câmbio Valorizado, Consumo Ascendente e Produção Física Estagnada no Brasil

15 janeiro, 2011 5 comentários

O extremo conservadorismo do Banco Central durante o governo Lula, de 2003 a 2010, levou o Brasil a manter uma taxa cambial super valorizada por conta da manutenção de um diferencial de juros sem precedentes. O Brasil segue tendo a maior taxa real de juros básica (a que remunera os títulos do governo) do mundo – mesmo em tempos de crise mundial e de fortes reduções nos juros básicos ao redor do planeta. A consequência está refletida nos gráficos que montei rapidamente com dados do PIM-PF (pesquisa industrial mensal – produção física) e da PMC (pesquisa mensal de consumo) do IBGE. As séries vão de 2003, início do governo Lula, até o final de 2010. Pode-se ver claramente que a partir de setembro de 2008 a tendência ascendente da produção interna foi interrompida  abruptamente pela forte crise mundial. A partir de então a série mostra a recuperação, entretanto não ultrapassando o patamar pré-crise. Já do lado do consumo a história é bem diferente. O volume de vendas no varejo não parou de subir, nem com a crise mundial. Se a produção está estagnada e o consumo continua crescendo sem freios, a diferença tem de ser bancada pelas importações, o que é confirmado pelo terceiro gráfico, que reproduz o volume de importações pelo Brasil, de acordo com as séries do Banco Central. O saldo da balança comercial (exportações menos importações) sofreu forte redução. É possível ver a desaceleração das exportações a partir de julho de 2010, com o contínuo aumento das importações, estas puxadas pelo aumento da renda nacional. O saldo em transações correntes é negativo por conta da balança de rendas e serviços, com destaque para os impactos negativos da repatriação de lucros de empresas estrangeiras. O resultado total do balanço de pagamentos se mantém positivo por conta do grande influxo de capitais, decorrente do grande diferencial de juros básicos no Brasil. Em resumo: os altos juros valorizaram muito o câmbio, corroendo o saldo comercial e desestimulando a produção doméstica. Enquanto o consumo das famílias continua aumentando, a produção doméstica segue estagnada e o diferencial é recheado pelas importações, agora muito mais baratas.

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O Quadro Educacional no Brasil – Relatório da OCDE

7 janeiro, 2011 1 comentário

Confira aqui o mais recente relatório da OCDE sobre o quadro educacional no Brasil. O estudo é muito interessante e coloca o lento avanço do Brasil no contexto de um país colonizado, com 400 anos de escravidão e com um sistema de ensino que foi criado tardiamente e enviesado em favor de uma pequena elite. O avanço é lento mas mostra que o sistema educacional vem democratizando-se, com uma melhor distribuição de recursos ao longo de todo o território nacional, e com uma crescente parcela do PIB dedicada ao ensino. Melhorias foram conquistadas no pós-1995 com a criação de fundos e programas federais que priorizaram a expansão da rede e do financiamento, além do estabelecimento de indicadores mais objetivos do progresso e do nível de aprendizado dos alunos. Vários gargalos são identificados, como os baixos salários para professores, elevado grau de repetição, baixa carga horária por aluno, grande absenteísmo de professores, falta de infra-estrutura que facilite o transporte de alunos e professores, pouca qualificação e falta de técnicas didáticas adequadas dos professores etc. O estudo ainda contém uma comparação entre os estados do Acre, Ceará e São Paulo.

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A Reorganização da Estrutura do Crime no Rio de Janeiro

24 dezembro, 2010 1 comentário

“A mídia nos faz crer – sobretudo a Rede Globo está empenhada nisso – que há uma luta entre o bem e o mal. O bem é a segurança pública e a polícia do Rio de Janeiro e o mal são os traficantes que estão sendo combatidos. Na verdade, isso é uma falácia. Não existe essa realidade. O que existe é essa reorganização da estrutura do crime”

José Cláudio Souza Alves

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Reduzir Gastos do Governo no Brasil para Quê?

11 dezembro, 2010 3 comentários

“Por que os juros são altos no Brasil? A hipótese novamente recuperada é de que há problemas de ordem fiscal que fazem com que o Brasil precise de juros mais altos para atrair recursos para pagar o déficit público. Por outro lado, toda vez em que o juros são altos, há um custo fiscal maior, que onera demasiado os títulos públicos, impondo um custo de gestão da dívida além do necessário. A experiência recente do Brasil demonstrou que ajuste fiscal nos moldes dos anos 1990 não permitiram reduzir a taxa de juros. A redução real foi feita sem esse tipo de ajuste fiscal, justamente na opção pelo crescimento da economia nacional. Cortar investimento é uma decisão que pode significar justamente perder uma forma de administrar a inflação. A melhor maneira de enfrentá-la é aumentar a capacidade produtiva do país. Ao cortar investimento, a capacidade cresce menos e, portanto, a possibilidade de o país continuar crescendo fica limitada”

- Márcio Pochmann

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