Frase da Semana
"O Bolsa Família mexeu com o coronelismo? Sim, enfraqueceu o coronelismo. O dinheiro vem no nome dela, com uma senha dela e é ela que vai ao banco; não tem que pedir para ninguém. É muito diferente se o governo entregasse o dinheiro ao prefeito. Num programa que envolve 54 milhões de pessoas, alguma coisa de vez em quando [acontece]. Mas a fraude é quase zero. O cadastro único é muito bem feito. Foi uma ação de Estado que enfraqueceu o coronelismo. Elas aprenderam a usar o 0800 e vão para o telefone público ligar para reclamar. Essa ideia de que é uma massa passiva de imbecis que não reagem é preconceito puro. E a questão eleitoral? O coronel perdeu peso porque ela adquiriu uma liberdade que não tinha. Não precisa ir ao prefeito. Pode pedir uma rua melhor, mas não comida, que era por aí que o coronelismo funcionava. [...] Aliás, outro preconceito é dizer que elas vão se encher de filhos para aumentar o Bolsa Família. É supor que sejam imbecis. O grande sonho é tomar a pílula ou fazer laqueadura. [...] Nessas regiões não há emprego. Eles são chamados ocasionalmente para, por exemplo, colher feijão. É um trabalho sem nenhum direito e ganham menos que no Bolsa Família. Não há fábricas; só se vê terra cercada, com muitos eucaliptos. Os homens do Vale do Jequitinhonha vêm trabalhar aqui por salários aviltantes. Um fazendeiro disse para o meu marido que não conseguia mais homens para trabalhar por causa do Bolsa Família. Mas ele pagava R$ 20 por semana! O cara quer escravo. Paga uma miséria por um trabalho duro de 12, 16 horas, não assina carteira, é autoritário, e acha que as pessoas têm que se submeter a isso."
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Quem são os verdadeiros vândalos? Os policiais são trabalhadores que usam ônibus e metrô. Mas vão às ruas para dar porrada em outros trabalhadores que, assim como eles, também usam ônibus e metrô. É trabalhador atacando trabalhador, a mando da burguesia que controla o estado e a polícia. Por que o estado não taxa as grandes fortunas e financia o transporte público gratuito? Por que o estado não taxa os proprietários de automóveis privados para financiar o transporte coletivo para todos? Por que o estado não comprime a margem de lucro das concessionárias privadas? Os verdadeiros vândalos são os capitalistas, que se deleitam ao ver a classe trabalhadora dividida e lutando entre si pelo custo do transporte público que afeta tanto manifestantes como policiais. Vândalos são aqueles que se enriquecem com a pobreza alheia. Os reais vândalos são aqueles que não vemos pelas ruas, muito menos usando o transporte público. A verdade aparece agora em um momento de conflito, e alguém terá que ceder. Ou os capitalistas reduzem suas margens de lucro ou os trabalhadores reduzem o poder de compra dos seus salários. Não há outra solução dentro do sistema atual. A divisão que interessa neste momento não é, portanto, uma divisão entre supostos vândalos e não-vândalos. O que interessa é a divisão entre os que usam o transporte público (os trabalhadores) e os que lucram com ele (os capitalistas). Transporte coletivo gratuito implica menos lucro para os ricos. Os ricos não cedem e mandam a polícia descer a porrada na população. E a população de São Paulo está muito bem informada sobre o sistema de transporte: é caríssimo e é uma merda. Todo mundo sabe disso. O transporte coletivo, assim como educação e saúde, tem que ser público e gratuito. Mas para isso os donos das concessionárias privadas vão ter que perder esse filão subsidiado pelo estado. A disputa é com a classe capitalista. E você, de que lado está?
Quais classes sociais representa o governo do PT? Ainda que o lulismo seguramente represente interesses específicos, a estrutura de classe no Brasil e as políticas a ela associadas certamente não são fáceis de compreender. Em recente debate entre Armando Boito e André Singer para a IX Semana de Ciências Sociais da USP, o tema foi abordado e discutido de maneira profunda. Boito teoriza o lulismo no Brasil como uma frente política neo-desenvolvimentista que organizou conjuntamente
A Batalha de Argel é a grande obra do
Todo estudante de graduação se pergunta por que os livros-texto escolhidos pelos professores são tão caros. O problema persiste até mesmo na pós-graduação. Os dados sobre inflação de preços ao consumidor final revelam uma realidade assustadora. No caso dos EUA, a inflação do preços de livros-texto foi de 820% de 1978 a 2012, muito acima dos 250% de aumento registrado no índice geral de preços ao consumidor. Os alunos têm, portanto, plena razão ao reclamar pelo que pagam para estudar. Para se ter uma ideia do que vem ocorrendo, a tão falada bolha no mercado imobiliário dos EUA resultou em um aumento de preços na ordem de 325% para novas moradias. A “bolha” no mercado de livros-texto foi, portanto, quase três vezes maior.
A grande mídia relatou mundo afora o recente desabamento de uma grande fábrica de roupas em Bangladesh. Me refiro ao edifício Rana Plaza localizado nas cercanias de Dhaka. Com mais de mil mortos e dois mil hospitalizados desde o 24 de abril, este colapso foi o pior na história da manufatura de Bangladesh. A grande mídia foi também rápida em encontrar no governo e na corrupção o culpado pela tragédia. Com a rapidez acrítica que lhes caracteriza, os jornais mundo afora rapidamente repercutiram a conclusão de que foram servidores públicos corruptos os causadores de tantas mortes. Claro, nada melhor do que usar uma tragédia causada pela competição global entre capitalistas para atacar o governo e culpar a corrupção de alguns poucos indivíduos.
O influente estudo de Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart sobre a relação negativa entre dívida pública e crescimento, publicado originalmente em 2010 na