Frase da Semana
"Enfim, no afã de mostrar uma economia em frangalhos, O Globo exibe números simplesmente não correspondem à realidade da economia venezuelana. Veja bem: eu nem estou falando de interpretação dos dados, mas sim de dados equivocados! Seria importante oferecer ao leitor de O Globo uma correção dessas informações – mas não na forma de errata ao pé de página, mas em uma reportagem que apresente ao leitor a economia venezuelana como ela é, e não o caos que O Globo gostaria que fosse. E, por favor, nos próximos infográficos, exibam suas fontes."
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Todo estudante de graduação se pergunta por que os livros-texto escolhidos pelos professores são tão caros. O problema persiste até mesmo na pós-graduação. Os dados sobre inflação de preços ao consumidor final revelam uma realidade assustadora. No caso dos EUA, a inflação do preços de livros-texto foi de 820% de 1978 a 2012, muito acima dos 250% de aumento registrado no índice geral de preços ao consumidor. Os alunos têm, portanto, plena razão ao reclamar pelo que pagam para estudar. Para se ter uma ideia do que vem ocorrendo, a tão falada bolha no mercado imobiliário dos EUA resultou em um aumento de preços na ordem de 325% para novas moradias. A “bolha” no mercado de livros-texto foi, portanto, quase três vezes maior.
A grande mídia relatou mundo afora o recente desabamento de uma grande fábrica de roupas em Bangladesh. Me refiro ao edifício Rana Plaza localizado nas cercanias de Dhaka. Com mais de mil mortos e dois mil hospitalizados desde o 24 de abril, este colapso foi o pior na história da manufatura de Bangladesh. A grande mídia foi também rápida em encontrar no governo e na corrupção o culpado pela tragédia. Com a rapidez acrítica que lhes caracteriza, os jornais mundo afora rapidamente repercutiram a conclusão de que foram servidores públicos corruptos os causadores de tantas mortes. Claro, nada melhor do que usar uma tragédia causada pela competição global entre capitalistas para atacar o governo e culpar a corrupção de alguns poucos indivíduos.
O influente estudo de Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart sobre a relação negativa entre dívida pública e crescimento, publicado originalmente em 2010 na
A primeira guerra mundial, que durou de 1914 a 1918, foi o primeiro confronto capitalista em escala global. As causas certamente foram várias, mas não há como negar que a busca por lucros não tenha tido papel central. O confronto envolveu não somente os antigos impérios como também as colônias que controlavam, entra elas colônias na África, no Oriente Médio, na China e no oceano pacífico. Uma verdadeira guerra pelo controle do mundo, comandada pelos capitalistas e pelos generais, mas que foi de fato lutada pelos trabalhadores. Estes mesmos trabalhadores, que em seus respectivos países são explorados pelos capitalistas, são então enviados a lutar em uma guerra criada pelos próprios patrões. Além de já serem explorados, tiveram que dar suas vidas por aqueles que os exploravam. E os exploradores mesmos nunca tocaram os campos de batalha. Conflitos de classe ocultos pelo manto do nacionalismo.
Os novos cercamentos agoram avançam rapidamente sobre a estrutura do nosso DNA. Companhias privadas já investiram milhões de dólares a fim de patentear o código genético humano e, se reforçados pela suprema corte, implicam que qualquer outra pessoa, instituto de pesquisa ou empresa que fizer referência às partes do DNA deverão pagar pelos direitos de propriedade intelectual. O que em poucas palavras significa que nós mesmos não seremos mais donos dos nossos próprios genes. Se uma companhia privada possuir patentes sobre o DNA humano, um médico que queira diagnosticar um provável câncer poderá ver-se forçado a não fazê-lo por não querer infringir, ou mesmo porque o paciente não consegue pagar, os direitos de propriedade do dono da patente sobre aquela parte do código genético. Parece algo do futuro, não é mesmo? Mas em verdade que o controle privado do DNA já segue em curso há alguns anos.